Epstein tem CPF ativo no Brasil e cogitou solicitar cidadania brasileira, dizem arquivos

Um dos arquivos das investigações do caso de Jeffrey Epstein, divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mostra que o financista tinha registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Brasil.

O material está disponível na Biblioteca Epstein, que reúne trocas de e-mails, imagens e outros registros relacionadas às investigações dos crimes sexuais pelos quais Epstein foi acusado Na pasta “Armário de arquivos 2”, há uma lista intitulada “Arquivos Diversos I”, com uma relação de documentos que pertenciam a Epstein – entre eles, um CPF brasileiro.

Emitido em 23 de abril de 2003, o documento aparece como regular no sistema da Receita Federal do Brasil. Ele contém o nome completo de Epstein e sua data de nascimento.

Procurada, a Receita Federal disse que informações sobre inscrições no CPF são fornecidas apenas ao titular, representante legal ou procurador, e que as regras gerais estão estabelecidas na Instrução Normativa RFB Nº 2.172, de 9 de janeiro de 2024. No caso de pessoas físicas de outra nacionalidade ou de procuradores legais, é necessário apresentar um documento original com foto que comprove a nacionalidade e a data de nascimento.

Em relação à situação cadastral, o órgão afirmou que qualquer ato relacionado ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida só pode ser solicitado por alguém que pertença a algum destes grupos:

Inventariante, cônjuge, companheiro ou o sucessor a qualquer título, no caso de haver bens a inventariar no Brasil; ou Cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão previdenciária por morte, caso não haja bens a inventariar no Brasil.

Outro arquivo, que mostra uma troca de e-mails entre Epstein e a empresária alemã Nicole Junkermann – citada em dezenas de mensagens – indica que o financista chegou a considerar pedir a cidadania brasileira.

“O que você acha de tirar a cidadania brasileira?”, perguntou Nicole. “Ideia interessante, porém vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”, respondeu Epstein.

Um dos depoimentos divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA mostra que Epstein esteve no Brasil nos anos 2000. De acordo com a contadora Maritza Vásquez, ele e o francês Jean-Luc Brunel, que era agenciador de modelos, contavam com a ajuda de uma cafetina brasileira para obter prostitutas, algumas delas menores de idade.

Com o apoio de Epstein, Brunel fundou a agência MC2, que, segundo investigações do FBI, funcionava como fachada para recrutar meninas estrangeiras.

Em 2006, segundo Maritza, ao menos quatro meninas brasileiras foram levadas a Nova York por Brunel. Duas eram menores de idade, com idades entre 15 e 17 anos. Epstein pagava pelos vistos de entrada delas nos EUA, emitidos pela MC2. Elas ficaram em apartamentos que pertenciam ao bilionário, sublocados por Brunel às garotas no valor de US$ 1 mil, ainda de acordo com a testemunha.

“Jeffrey Epstein estava indo ao Brasil porque ele tinha clientes que eram de lá. Quando ele e Jean-Luc estavam lá, uma mulher fornecia prostitutas a eles e algumas delas eram menores de idade”, disse ela ao FBI.

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