Rei Charles confirma visita aos EUA após Trump criticar postura do Reino Unido na guerra no Irã

O Palácio de Buckingham confirmou nesta terça-feira, 31, que o rei Charles III fará uma visita de Estado aos Estados Unidos no próximo mês, apesar dos apelos para que o evento fosse cancelado devido às repetidas críticas do presidente americano Donald Trump ao governo britânico por não apoiar a guerra no Irã

Segundo o Palácio de Buckingham, o rei e a rainha Camilla viajarão para os EUA no final de abril para comemorar o 250º aniversário da Independência Americana. Trump afirmou que a viagem ocorrerá de 27 a 30 de abril.

“Estou ansioso para passar um tempo com o rei, a quem respeito muito”, escreveu Trump na Truth Social. “Vai ser FANTÁSTICO!”

O encontro ocorre após a visita oficial de Trump ao Reino Unido, em setembro – evento que foi visto como parte do esforço britânico para fortalecer a chamada “relação especial” entre os dois países, à medida que as políticas “America First” do presidente ameaçavam a ordem global estabelecida.

Ainda assim, Trump tem criticado o Reino Unido por se recusar a permitir que aeronaves americanas utilizem bases britânicas em operações ofensivas contra o Irã. Em postagem na Truth Social, o presidente afirmou que países que não conseguem obter combustível de aviação devido às restrições no Estreito de Ormuz deveriam “reunir um pouco de coragem adiada, ir até o estreito e simplesmente TOMÁ-LO”.

Ele também tem criticado repetidamente o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chegando a afirmar, em determinado momento, que ele “não é Winston Churchill”.

As declarações levaram parlamentares a pedir que Starmer cancelasse a visita de Estado, como forma de demonstrar desaprovação e evitar constrangimentos ao rei em meio às tensões entre os dois países.

O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou nesta terça que o primeiro-ministro demonstrou “uma impressionante falta de coragem” ao permitir que a visita fosse mantida.

“Enviar o rei em uma visita de Estado aos EUA depois que Trump menosprezou nossa Marinha Real como se fossem brinquedos é uma humilhação e um sinal de um governo fraco demais para enfrentar valentões”, disse Davey. “Que coisa terrível Trump precisa fazer a seguir para que o governo caia em si e cancele a visita de Estado?”

O monarca recebe visitas de Estado em casa e viaja para o exterior a pedido do governo eleito, que usa a pompa e a solenidade dessas ocasiões para fortalecer relações internacionais. A decisão de manter a viagem pode ser interpretada como uma tentativa do governo de Starmer de amenizar as tensões provocadas pela guerra – ou, ao menos, evitar agravá-las.

Trump é conhecido por demonstrar apreço pela família real e se entusiasmou durante a visita do ano passado ao Castelo de Windsor, onde foi recebido por uma banda militar. O rei ofereceu um banquete em um salão decorado com flores e folhas de ouro.

A visita se concretizou após Starmer viajar às pressas para Washington, em fevereiro de 2025, apenas cinco semanas após o início do segundo mandato de Trump, para entregar pessoalmente ao presidente o convite do rei.

Foi a primeira vez que um líder mundial recebeu a honra de uma segunda visita de Estado, e também a primeira vez em que o convite foi entregue por meio de uma carta pessoal do monarca, exibida por Trump às câmeras.

“É uma grande, grande honra”, disse Trump na época, destacando que a carta incluía um convite para o Castelo de Windsor. “Isso é realmente algo especial.”

Agora, o rei viajará a Washington para a visita de retorno. Charles já esteve nos EUA 19 vezes, mas esta será sua primeira visita de Estado ao país desde que se tornou rei. Sua mãe, a rainha Elizabeth II, realizou quatro visitas de Estado aos EUA.

O monarca também viajará às Bermudas como parte da agenda, em sua primeira visita ao território ultramarino desde que assumiu o trono.

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