A SAF do Botafogo anunciou nesta quarta-feira, 22, que protocolou um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. Foi solicitado ainda a “a suspensão temporária do direito de voto” à Eagle Holdings Bidco, acionista majoritária e que está sob intervenção da Cork Gully.
Segundo a diretoria executiva alvinegra, comandada pelo empresário americano John Textor, a administradora está usando a sua posição para “obstruir a chegada de novo capital ao clube de futebol”.
A medida visa preservar as atividades e garantir a continuidade esportiva do Botafogo, além de proteger os ativos do clube, como jogadores. Segundo laudo divulgado pela pelo própria SAF, a dívida do clube é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões.
Entre as principais medidas que podem ser concebidas estão a suspensão, por 60 dias, de execuções e cobranças, abrindo espaço para a construção de uma solução com credores, além da proteção integral dos ativos e receitas, com proibição de atos de constrição. Também foi determinada a suspensão de cláusulas de vencimento antecipado e da execução de garantias, evitando o agravamento imediato da situação financeira.
A decisão assegura ainda a continuidade operacional, com a manutenção de contratos essenciais — incluindo atletas, funcionários e fornecedores. Foi solicitado ainda a realização de constatação prévia por especialistas independentes para avaliar as condições operacionais da companhia.
O pedido de recuperação judicial era um desejo de Textor, que não tem mais o apoio do clube social, dono de 10% da SAF e com papel de fiscalização. O dono da planeja colocar em votação o aporte de US$ 25 milhões em troca de novas emissões da SAF, o que não é bem visto pelo social, que paralelamente está em busca de um novo investidor e não descarta um acerto com a Ares, principal credora da Bidco, para se livrar de Textor.
Campeão do Brasileiro e da Libertadores em 2024, o Botafogo vive cenário calamidade financeira. Além da dívida elevada, com vencimento em curto prazo (12 meses) na casa de R$ 1,6 bi, o clube foi punido com transfer ban da Fifa e está impedido de inscrever jogadores por três janelas de transferências — o alvinegro carioca já estava punido em nível nacional pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.


