Nunes afasta gerente da SPTuris após suposta ligação com ONG da produtora de ‘Dark Horse’

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou o afastamento do gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli Bolzan, após abertura de uma investigação pela Controladoria-Geral do Município (CGM).

Segundo Nunes, a apuração busca esclarecer suposta ligação de Bolzan com a ONG vinculada a Karina Ferreira da Gama, empresária responsável pela produtora do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e investigada pela Polícia Civil por suspeita de fraudes.

“Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, eu não vou carregar nas minhas costas nada que seja de um peso na consciência por cometer injustiça. Também não vou carregar nas minhas costas o peso de ser omisso, então está sendo apurado”, afirmou a jornalistas na terça-feira, 9, durante inauguração de instalações em uma UBS na zona sul da cidade.

A investigação foi instaurada depois que uma reportagem do portal Metrópoles apontou que uma rede de empresas e ONGs ligadas à produtora e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), que também pertence a Karina, ganhou espaço na Prefeitura depois que Raveli assumiu o cargo.

Ao comentar o caso, o prefeito destacou que ele integra os quadros da agência desde 2005 e atuava como fiscal de oito contratos.

Como mostrou o Estadão, o Instituto Conhecer Brasil foi alvo de operação da Polícia Civil paulista no início do mês por suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões. A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

Além do contrato original, a Prefeitura fez aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões os repasses para a ONG, com pelo menos R$ 26 milhões pagos “sem a efetiva prestação do serviço”, segundo as autoridades.

As investigações também apuram repasse de R$ 1,3 milhão a uma empresa cujo um dos sócios era dirigente do próprio ICB. Os repasses ocorreram em convênio entre a ONG e a Prefeitura para a instalação de 5.000 pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista.

Procurada sobre os dois casos, a Prefeitura afirmou que o processo licitatório “seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade” e que, no caso da instalação dos pontos de wi fi, “análise jurídica realizada à época considerou os critérios previstos na legislação e não identificou vedação formal à parceria”.

A ONG também é cobrada na Justiça para devolver R$ 1,3 milhão de um patrocínio executado irregularmente em 2017, em ação movida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). O Sesi apontou uma série de erros na prestação de contas do patrocínio, incluindo a contratação de uma empresa de Brasília para realizar serviços na Bahia.

 

*Estadão Conteúdo/Foto: Reprodução

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