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Ação contra imigrantes em Minneapolis provoca novo confronto entre policiais e manifestantes

Após ser atacado com uma pá e um cabo de vassoura, um policial federal atirou na perna de um homem em Minneapolis, capital de Minnesota, nos Estados Unidos, aumentando as tensões que se espalham na cidade desde o assassinato de Renee Good por um policial do serviço de imigração americano, o ICE, na semana passada.

A fumaça encheu a rua na noite desta quarta-feira, 14, perto do local da última ação policial, quando policiais federais usando máscaras de gás e capacetes dispararam gás lacrimogêneo contra uma pequena multidão, enquanto os manifestantes jogavam pedras e disparavam fogos de artifício. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse em uma coletiva de imprensa que a reunião era uma assembleia ilegal e que “as pessoas precisam ir embora”.

Mais tarde, as coisas começaram a se acalmar no local e, no início da quinta-feira, 15, menos manifestantes e policiais estavam lá.

Essas cenas de protesto se tornaram comuns nas ruas de Minneapolis desde que um agente de imigração atirou e matou Renee Good no dia 7 de janeiro, em meio a uma repressão em massa à imigração. Os agentes arrancaram pessoas de carros e casas e foram confrontados por transeuntes furiosos que exigiam que os agentes se retirassem.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, descreveu os últimos eventos como “insustentáveis”. “Nossa cidade está sendo colocada numa situação insustentável e, ao mesmo tempo, estamos tentando encontrar um caminho para manter as pessoas seguras, proteger nossos vizinhos e manter a ordem”, disse o gestor.

Frey afirmou que a força federal que é cinco vezes maior do que o efetivo de 600 policiais da cidade. Segundo o prefeito, os policiais federais “invadiram” a capital. O Departamento de Segurança Interna dos EUA, o DHS, afirma ter efetuado mais de 2 000 prisões no Estado desde o início de dezembro e promete não recuar.

Tiroteio seguido de perseguição

Em uma declaração descrevendo os eventos que levaram ao tiroteio de quarta-feira, o Departamento de Segurança Interna disse que os policiais federais pararam uma pessoa da Venezuela que estava nos EUA ilegalmente. A pessoa saiu dirigindo e bateu em um carro estacionado antes de fugir a pé, disse o DHS.

Depois que os policiais alcançaram o imigrante, duas outras pessoas chegaram de um apartamento próximo e as três começaram a atacar o policial, de acordo com o DHS.

“Temendo por sua vida e segurança, pois estava sendo emboscado por três indivíduos, o policial disparou um tiro para defender sua vida”, informou o DHS. Ainda segundo o órgão, as duas pessoas que saíram do apartamento estão sob custódia.

O’Hara disse que o homem baleado estava no hospital com um ferimento que não representava risco de vida. A ação ocorreu cerca de 7,2 quilômetros ao norte do local onde Renee foi morta. O relato de O’Hara sobre o que aconteceu foi, em grande parte, semelhante ao da Segurança Nacional.

Conflitos no tribunal

Na quarta-feira, uma juíza deu ao governo Trump tempo para responder a um pedido de suspensão de sua repressão à imigração em Minnesota, enquanto o Pentágono procurava advogados militares para se juntar ao esforço caótico no Estado.

“O que mais precisamos neste momento é de uma pausa. A temperatura precisa ser reduzida”, disse o procurador-geral adjunto do Estado, Brian Carter, durante a primeira audiência em um processo movido por Minnesota e pelas cidades de Minneapolis e St.

Os líderes locais afirmam que o governo está violando a liberdade de expressão e outros direitos constitucionais com o aumento das ações policiais. A juíza distrital dos EUA, Katherine Menendez, deu ao Departamento de Justiça dos EUA até segunda-feira para apresentar uma resposta a um pedido de ordem de restrição. O advogado do Departamento de Justiça, Andrew Warden, sugeriu que a abordagem era apropriada.

A juíza também está cuidando de um processo separado que questiona as táticas usadas pela polícia de imigração americana, a Immigration and Customs Enforcement (ICE), e outros agentes federais quando encontram manifestantes e observadores. Uma decisão poderá ser divulgada esta semana.

Durante um discurso televisionado antes do tiroteio de quarta-feira, o governador Tim Walz descreveu Minnesota como em caos, em uma situação “difícil de acreditar”.

“Vamos ser muito, muito claros, isso há muito tempo deixou de ser uma questão de aplicação da imigração”, disse ele. “Em vez disso, é uma campanha de brutalidade organizada contra o povo de Minnesota pelo nosso próprio governo federal”.

Agente que matou Renee está ferido

Jonathan Ross, o agente do Departamento de Imigração e Alfândega que matou Renee, sofreu hemorragia interna no tronco durante o confronto, disse um funcionário da Homeland Security à Associated Press. A autoridade falou à Associated Press sob condição de anonimato. O funcionário não forneceu detalhes sobre os ferimentos.

Renee foi morta depois que três policiais do ICE cercaram eu veículo SUV em uma rua coberta de neve a algumas quadras de sua casa. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que o agente foi atingido pelo veículo e que Renee estava usando sua SUV como arma. Essa versão foi criticada pelas autoridades de Minnesota.

Chris Madel, advogado de Ross, não quis comentar os eventuais ferimentos do agente. A família de Renee, por sua vez, contratou o mesmo escritório de advocacia que representou a família de George Floyd. Floyd, que era negro, morreu depois que um policial branco prendeu seu pescoço ao chão na rua em maio de 2020. O processo na Justiça terminou em um acordo de US$ 27 milhões entre a família de Floyd e o Estado de Minneapolis.

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