São Paulo vota expulsões de Mara Casares e Douglas Schwartzmann por caso do camarote; entenda

O Conselho Deliberativo do São Paulo decide nesta quarta-feira se expulsa Mara Casares e Douglas Schwartzmann pelo uso irregular do Camarote 3A do MorumBis. O caso veio à tona no fim do ano passado e virou também objeto de inquérito de uma força-tarefa do Ministério Público (MP-SP) e da Polícia Civil.

Internamente, a Comissão de Ética do Conselho avaliou a situação Em parecer fornecido ao colegiado para embasar a votação, foi declarada unanimidade da comissão em expulsá-los. Durante o processo, Mara e Schartzmann tiveram oportunidade de defesa. Os dois se disseram inocentes.

Segundo apurado pela reportagem do Estadão, há tendência de aprovação das expulsões. O parecer da Comissão de Ética é assinado pelos conselheiros Antônio Maria Patiño Zorz, Felipe Nelli Soares, Luiz Augusto Lia Braga, Marcelo Felipe Nelli Soares e Milton Jose Neves Junior.

O relatório aponta a condenação de ambos por gestão irregular e dano à imagem do clube. Além da expulsão, outras punições mais brandas são sugeridas. São elas: perda de mandato no Conselho Deliberativo, inelegibilidade, suspensão (no caso de dano à imagem) e obrigação de ressarcir prejuízos ao clube.

A reunião será em modo híbrido e com voto secreto. A votação será aberta na noite desta quarta-feira e fechará na tarde de quinta-feira. Para cada caso, é necessária aprovação de dois terços (169) dos 253 conselheiros aptos a votar.

Segundo o Regimento Interno do São Paulo, caso haja condenação, os acusados podem recorrer em até 10 dias após o veredito. Os dois deixaram as funções que ocupavam como diretores do clube após o caso se tornar público. Eles não podem, portanto, perder os cargos.

Douglas Schwartzmann é conselheiro vitalício do São Paulo. Mara era conselheira eleita, mas renunciou em dezembro, após deixar a diretoria. A comissão ainda a julga, por entender que os fatos analisados aconteceram enquanto ela exercia a função. Se for concretizada a perda de mandato, seria apenas uma “pena simbólica”. Entretanto, isso pode refletir em uma inelegibilidade futura, a depender de interpretações do colegiado.

O QUE DIZEM MARA CASARES E DOUGLAS SCHWARTZMANN SOBRE O CASO DO CAMAROTE?

Mara e Schwartzmann são acusados de exploração irregular de um camarote do MorumBis. Eles foram flagrados em gravação de conversa que revelou o esquema, chamado por eles mesmos de “clandestino” no áudio. A gravação falava em específico do show da Shakira, realizado no estádio são-paulino no começo de 2024. A investigação policial, porém, aponta que isso acontecia pelo menos desde 2022.

Schwartzmann disse que usou mal as palavras quando falou que o caso se tornar público seria um problema e que tratava a situação apenas em campo hipotético. Na gravação, ele pressiona Rita de Cássia Adriana Prado, intermediária nas vendas do camarote, a retirar um processo que poderia tornar o caso conhecido.

O ex-diretor da base ainda disse que não há provas de que tenha recebido dinheiro com o uso irregular do camarote. A Polícia Civil e o Ministério Público (MP-SP) ainda investigam o caso e esperam mapear valores usados no esquema.

Já Mara apontou que fazia um favor a uma parceira da diretoria feminina, a qual ela encabeçava. Adriana tinha negócios com Mara no São Paulo desde pelo menos 2022, apontou o MP-SP.

MP-SP E POLÍCIA JÁ OUVIRAM INTERMEDIÁRIA, MARA E SCHWARTZMANN

Em paralelo ao processo do São Paulo, a força-tarefa que investiga o clube colheu depoimento de Douglas Schwartzmann na terça-feira. Antes, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado já haviam sido ouvidas.

Conforme apurado pelo Estadão, Schwartzmann apontou às autoridades argumentação semelhante a o que disse à Comissão de Ética. Ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, há evidências que contradizem a versão apresentada.

O MP-SP já intimou o atual presidente Harry Massis Jr. a depor. A pedido da advogada Amanda Nunes Costa, do grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo, também foram intimados outros sete diretores: Roberto Soares Armelin, Érica Ruiz Podadera, Marcio Carlomagno, Érica Duarte, Jaqueline Meirelles, Sergio Augusto Fonseca Pimenta e Eduardo Toni.

Todos devem ser ouvidos na condição de testemunhas. Da mesma forma, a força-tarefa espera contar com o depoimento do ex-presidente Júlio Casares. Ele renunciou após seu processo de impeachment ser aprovado no Conselho. Uma das razões era justamente o caso do camarote.

Marcio Carlomagno já foi expulso. O ex-superintendente do clube foi citado no áudio que originou a investigação e é acusado de envolvimento na exploração clandestina de camarotes no MorumBis. Como ele não é conselheiro, sua expulsão foi determinada diretamente pela Comissão Disciplinar do São Paulo, sem necessidade de análise posterior.

Em nota enviada à imprensa, o presidente do São Paulo, Harry Massis Jr, disse que é favorável à expulsão dos envolvidos. “Se a Comissão de Ética recomendou esta decisão, tenho plena confiança na investigação do órgão e acredito que é o melhor para a instituição. Diariamente, estamos trabalhando para mudar o futuro do São Paulo Futebol Clube, e esta é mais uma medida importante. Na minha gestão, honestidade e integridade são valores inegociáveis e lutarei a qualquer custo para tornar o clube mais transparente e respeitoso com os nossos torcedores”, comentou Massis.

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