São Paulo, setembro de 2026 – A suspensão pela União Europeia da entrada de carnes bovina, suína e de aves e de outros produtos de origem animal brasileiros tem uma causa específica, segundo a São Paulo Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo: a ausência de garantias documentais, de rastreabilidade e de certificação consideradas suficientes pela Comissão Europeia, e não uma resposta a um surto de febre aftosa ou uma declaração de que a carne brasileira, em geral, seja imprópria para consumo.
A decisão está relacionada às exigências europeias sobre o uso de determinados medicamentos antimicrobianos e à comprovação de controles capazes de assegurar o cumprimento das regras. O Regulamento Delegado (UE) 2023/905 restringe o uso de antimicrobianos destinados à promoção de crescimento ou aumento de rendimento e de medicamentos antimicrobianos reservados ao tratamento de determinadas infecções humanas.
A medida ocorre apenas quatro meses após o início da vigência do acordo Mercosul-União Europeia, e quando o mercado ainda repercute o crescimento de 11% das exportações brasileiras para o bloco no acumulado de janeiro a julho de 2026, que totalizaram US$ 31,59 bilhões.
“O momento exige serenidade, transparência e coordenação. Regras sanitárias rigorosas são legítimas quando aplicadas com base científica, previsibilidade e critérios claros. Ao mesmo tempo, decisões que afetam cadeias produtivas e contratos internacionais devem ser acompanhadas de diálogo técnico efetivo e de uma rota objetiva para a retomada do comércio”, afirma Luiz Roberto Gonçalves, vice-presidente da ACSP e presidente da SP Chamber.
Canal para esclarecimentos
Diante do impacto imediato sobre as empresas exportadoras, a SP Chamber avalia que a suspensão reforça a necessidade de previsibilidade para empresas que mantêm contratos e relações comerciais com compradores europeus. A entidade recomenda que as autoridades brasileiras e europeias mantenham um canal técnico permanente para esclarecer os requisitos de conformidade, avaliar os controles nacionais e estabelecer critérios verificáveis para a eventual reinclusão do Brasil na lista de países autorizados.
“Consideramos fundamental que os órgãos responsáveis comuniquem ao setor privado um cronograma atualizado de auditorias, documentos necessários, procedimentos de certificação e etapas para a recuperação do acesso ao mercado europeu. A suspensão pode produzir efeitos relevantes sobre receitas de exportação, relações com compradores europeus e a percepção internacional sobre os sistemas brasileiros de rastreabilidade e controle”, analisa Gonçalves.
De acordo com a SP Chamber, é importante que haja uma atuação coordenada em três frentes: negociação técnica para a recuperação do acesso europeu; apoio às empresas afetadas na adequação documental e operacional; e diversificação responsável de mercados, sem medidas improvisadas que reduzam o valor dos produtos brasileiros.
Sobre a São Paulo Chamber of Commerce
A São Paulo Chamber of Commerce é o braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo – ACSP e atua no apoio a empresas brasileiras, na promoção de negócios internacionais, na atração de delegações empresariais e no fortalecimento das relações comerciais do Brasil com mercados estratégicos.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
*Estadão Conteúdos/Foto: Reprodução


