Embaixada de Israel responde críticas sobre Gaza após falas de Lula: ‘Compram mentiras

A embaixada de Israel em Brasília divulgou uma nota no fim da noite de segunda-feira, 2, afirmando que autoridades ao redor do mundo “compram mentiras” do grupo terrorista Hamas – que controla a Faixa de Gaza – e por isso atacam o governo de Binyamin Netanyahu.

A nota não cita o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foi publicada após Lula voltar a criticar as ações militares de Israel em Gaza.

“Diante das repetidas acusações contra as atividades de Israel na Faixa de Gaza, é importante esclarecer as coisas e não se deixar levar pela propaganda e notícias falsas da organização terrorista Hamas”, afirmou a embaixada israelense em Brasília.

“Em todas as suas ações, Israel não tem a intenção de prejudicar pessoas não envolvidas. Pelo contrário, Israel permite a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, enquanto se esforça para garantir que ela chegue às pessoas que precisam e não às mãos do Hamas. Israel não quer a guerra e o sofrimento causados por ela, resultado do uso da população de Gaza como escudo humano pelo Hamas, utilizando hospitais, escolas e creches para fins militares”, acrescentou a representação diplomática.

Em outro ponto do comunicado, a embaixada disse que o Hamas propaga notícias falsas para “influenciar a opinião pública mundial a seu favor” por meio de “eventos encenados, incidentes que não aconteceram e histórias falsas” para “alimentar o antissemitismo no mundo”.

“Infelizmente, tem quem compre essas mentiras, que estão prejudicando israelenses e judeus no Brasil e no mundo todo”, concluiu a embaixada de Israel em Brasília.

No fim de semana, Lula disse que o governo Netanyahu age com “vingança” contra os palestinos e que acontece um “genocídio” na região. “A maioria do povo judeu não concorda com essa guerra. O povo de Israel não quer essa guerra. Essa guerra é uma vingança de um governo contra a possibilidade da criação do estado Palestino, por detrás do massacre em busca do Hamas, o que existe na verdade é a ideia de assumir a responsabilidade e ser dono do território de Gaza”, afirmou Lula no fim de semana.

Nesta terça, 3, após a divulgação da nota, Lula voltou a criticar a postura de Israel e o conflito em Gaza em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto. O presidente afirmou que a guerra é um genocídio contra palestinos e que o governo de Israel “precisa parar com o vitimismo”.

“É exatamente por conta do que o povo judeu sofreu na História que o governo de Israel tinha que ter respeito e humanismo com o povo palestino. Eles tratam os palestinos como povo de segunda classe. (…) E vem dizer que isso é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo. O que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio” – declarou Lula.

“O que está acontecendo em Gaza não é guerra, é um Exército matando mulheres e crianças. Inclusive, gente de Israel critica que não é uma guerra, é um genocídio”, completou o presidente.

Crise entre Brasil e Israel

A declaração de Lula foi mais um episódio de falas do presidente e de outros integrantes do governo brasileiro atacando Israel e classificando como “genocídio” as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza após os ataques terroristas de 7 de outubro.

Em 2024, Lula chegou a dizer: “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”, durante sua viagem à Etiópia.

Recentemente, ao participar de duas audiências no Congresso Nacional, o chanceler brasileiro Mauro Vieira se referiu ao que acontece em Gaza como “carnificina”, afirmando também que o governo Netanyahu pratica “atrocidades” e reage de forma “desproporcional” contra o povo palestino, praticando medidas que “ultrapassaram todos os limites”.

Desde o início do segundo mandato de Lula, as relações entre Brasil e Israel têm enfrentado crises. O clima resultou na retirada do embaixador brasileiro de Tel-Aviv e na designação do presidente Lula como “persona non grata” em Israel.

Com menos de dois meses para a aposentadoria do atual embaixador Daniel Zonshine, a embaixada israelense no Brasil pode ficar sem um representante diplomático de alto escalão, porque o governo brasileiro ainda não aprovou Gali Dagan, indicado para assumir o cargo em janeiro deste ano.

 

 

*Estadão conteúdo/Foto: Reprodução 

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