O que se sabe sobre o acordo entre EUA e Irã que pode ser assinado neste domingo (14)

A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã ganhou força neste sábado (13) após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que o documento está previsto para ser assinado neste domingo (14). No entanto, autoridades iranianas evitam confirmar um prazo e afirmam que as negociações ainda podem se estender pelos próximos dias.

Em publicação nas redes sociais, Trump disse esperar que o acordo seja formalizado em breve, e declarou que o estreito de Ormuz deverá ser reaberto imediatamente após a assinatura. O entendimento, aponta o presidente americano, também impediria o Irã de obter armas nucleares e abriria caminho para uma relação mais estável entre Washington, Teerã e os demais países da região.

Além disso, segundo Trump, os EUA pretendem tratar futuramente da questão dos materiais nucleares armazenados em instalações iranianas. O republicano afirmou ainda esperar uma conclusão rápida e pacífica para as negociações, mas ressaltou que seu governo conta com uma “alternativa definitiva, que esperamos nunca mais precise ser usada.”

Apesar do otimismo demonstrado por Trump e pelo governo do Paquistão, que atua como mediador das conversas, a data ainda não é consenso entre as partes.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura neste domingo não está confirmada. Segundo ele, a possibilidade de um entendimento nos próximos dias é considerada alta, mas ainda não há uma data definida para a conclusão do processo.

O que se sabe sobre o acordo que pode ser assinado?

Até o momento, EUA e Irã não divulgaram oficialmente o texto do memorando em negociação. No entanto, informações publicadas por veículos internacionais e atribuídas a fontes dos dois governos apontam alguns dos principais pontos que estariam sendo discutidos:

  • A reabertura imediata e sem cobrança de taxas das embarcações que passam pelo estreito de Ormuz após a assinatura do acordo;
  • O estabelecimento de um novo cessar-fogo na região, incluindo no Líbano, com duração estimada de 60 dias;
  • Flexibilização gradual das sanções econômicas impostas ao Irã;
  • A saída das forças militares americanas das proximidades do Irã;
  • Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares;
  • Possível desmantelamento de partes do programa nuclear iraniano, segundo fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos;
  • Suspensão de restrições à navegação e ao comércio marítimo na região;
  • O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados até que cumpra sua parte do acordo.

Por outro lado, veículos estatais iranianos sustentam que Teerã não pretende renunciar ao controle do estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo — nem ao direito de enriquecer urânio. Os dois temas seguem entre os pontos mais sensíveis das negociações e ainda representam desafios para a conclusão de um acordo definitivo.

Como as negociações chegaram a este ponto?

As negociações ocorrem após uma nova escalada de tensão entre EUA e Irã. Na semana passada, os dois países voltaram a trocar ataques, mesmo sob um acordo de cessar-fogo.

O aumento das hostilidades teve início após a queda de um helicóptero militar americ

cano na região do estreito de Ormuz.

Washington atribuiu o episódio ao Irã e respondeu com bombardeios contra sistemas de defesa e radares do país. Teerã, por sua vez, retaliou com ataques no Golfo Pérsico. O governo iraniano também anunciou o fechamento do estreito de Ormuz e chegou a afirmar que os confrontos comprometiam as negociações de paz em andamento.

O cenário começou a mudar na quinta-feira (11), quando Trump anunciou o cancelamento de uma nova ofensiva militar contra o país persa. Segundo o presidente americano, a decisão foi tomada após negociadores alcançarem consenso sobre pontos considerados centrais para um acordo destinado a encerrar o conflito.

 

 

*r7/Foto: Reprodução/White House

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