CEO do Itaú diz que dívida pública é ‘preocupante’ e que executivos se reuniram com Haddad

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, disse neste sábado, 7, que a trajetória da dívida é uma preocupação constante e que ele, junto com mais alguns outros participantes do painel no Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP), estiveram reunidos com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na sexta-feira, 6, para levar “ideias, propostas e alternativas” à decisão do governo de ampliar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Ele não citou quais executivos estiveram no encontro, mas ao seu lado estavam o chairman e sócio-sênior do BTG Pactual, André Esteves; o presidente da Febraban, Isaac Sidney; e o acionista e membro do conselho da JBS, Wesley Batista, além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

“A gente sabe que o social e o fiscal andam de mãos dadas. Não dá para você fazer o social sem cuidado fiscal, não dá para fazer o fiscal sem ter um olhar para o social”, afirmou.

Ele contrapôs, no entanto, que o endividamento do País é uma tônica de todas as conversas, mas que o ajuste fiscal é necessário.

“Precisa ter coragem para enfrentar esse ajuste, você precisa tirar o engessamento do Orçamento. É fundamental que isso aconteça, e a gente precisa debater as medidas estruturantes que levam o País para uma agenda de muito mais produtividade, crescimento e naturalmente estabilidade da dívida e do endividamento”, enumerou.

Para Maluhy, o endividamento pode crescer três pontos porcentuais por ano nos próximos anos, mas ele salientou que a variável está muito relacionada à expansão do Produto Interno Bruto (PIB). E o crescimento deste ano e do próximo, segundo o executivo, tendem a ser menor.

O outro ponto, conforme o CEO do Itaú, diz respeito ao próprio arcabouço fiscal atual, que traz um mecanismo lento de ajuste nas despesas. Por isso, conforme o executivo, é preciso enfrentamento e coragem para uma mobilização na direção de atacar as reformas que são estruturantes.

Maluhy afirmou que existe diálogo com o governo. “Ontem mesmo estávamos aqui, alguns de nós, nesse grupo aqui, três de nós, sentados com o ministro da Fazenda, discutindo, levando ideias, propostas e alternativas”, relatou.

Ele evitou repassar o conteúdo das conversas, mas afirmou que foram diálogos muito abertos e construtivos. “O nosso papel, enquanto setor, é trazer uma visão não só dos bancos”, disse, voltando a dizer que a visão de que juros altos são bons para o sistema financeiro é um erro.

Segundo o CEO, o setor acha melhor trabalhar com um dígito de juros e ter um país com crescimento, geração de emprego e produtividade, do que juros num patamar restritivo como o atual. “Mas para ter isso, é preciso fazer o ajuste fiscal. E um ajuste fiscal bem feito.”

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