Candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo à esquerda e à direita adotaram táticas diferentes no debate promovido pela TV Bandeirantes na noite desta quarta-feira, 9. Enquanto Ricardo Salles (Novo) criticou a trajetória política do presidente da Alesp, André do Prado (PL), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) fizeram uma “tabelinha” a favor do fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A crise institucional enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ficou em segundo plano e foi abordada de forma pontual, somente a partir do segundo bloco. Cabe ao presidente do Senado abrir, e aos senadores, votarem, processos de impeachment contra ministros da Corte.
Apenas Salles disse com todas as letras ser favorável a ao impeachment dos magistrados, citando especialmente Alexandre de Moraes. Os demais candidatos que abordaram o tema, como Marina, Tebet e Soninha Francine (Cidadania), defenderam, com ênfases variadas, que ministros que cometeram irregularidades sejam punidos, mas não anteciparam seus votos.
Mesmo André do Prado, candidato do PL e da família Bolsonaro, que tem no impeachment a principal pauta no Senado, adotou essa linha e não declarou abertamente como votaria em um eventual processo contra os ministros. (leia mais abaixo).
A pauta ganhou força após mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostrarem que ele pediu ajuda a Moraes para tentar conter o avanço das investigações sobre o Master.
Salles abriu o primeiro bloco acusando Prado de ter apoiado candidatos do PT no passado, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e Alexandre Padilha (PT). “Você sempre esteve com a esquerda”, afirmou Salles.
Prado se defendeu e disse que, na verdade, “sempre esteve contra o PT”. Ele afirmou que integrou a base de apoio ao então governador Geraldo Alckmin (PSB) na Alesp a partir de 2010, quando assumiu o primeiro mandato como deputado estadual – à época, Alckmin era oposição ao PT.
Prado disse ainda que Salles foi secretário de Alckmin em duas ocasiões e em ambas foi demitido pelo então governador. O candidato do PL também citou processos contra Salles. “Um deles relacionado a contrabando internacional de madeira. A Polícia Federal foi até a sua casa. Eu nunca recebi a visita da polícia”, rebateu.
Como há duas vagas, a estratégia dos candidatos é realizar “dobradinhas” e evitar que o segundo voto ajude a eleger um candidato de outro espectro político. À esquerda, a aliança é entre Marina e Tebet. À direita, a dobradinha é entre Guilherme Derrite (PP) e André do Prado, que são apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Salles, contudo, tenta quebrar essa estratégia.
Em outro momento, Derrite e Salles também se juntaram, mas para criticar a gestão do PT na segurança pública. Foi o candidato do PP que escolheu Salles para responder à questão – naquele momento, Prado não poderia ser mais selecionado, de acordo com as regras do debate.
“Derrite, é um prazer estar com você. Você sabe que sempre apoiei seu trabalho”, acenou Salles ao colega, na contramão do que havia feito minutos antes com o presidente da Alesp.
“Nós temos uma candidata, Marina Silva, que votou contra a redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados. E a candidata Tebet, que também já se posicionou contra”, afirmou Derrite.
Marina disse que é professora e entende que adolescentes não devem ser tratados como bandidos. Tebet, contudo, afirmou que admite a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes graves, como latrocínio, homicídio doloso em reincidência ou estupro.
Ainda no embate com Derrite, a ex-ministra do Planejamento o acusou de indicar um comandante-geral da Polícia Militar suspeito de ter envolvimento com o crime organizado. Derrite era secretário de Segurança Pública de São Paulo até o início do ano
Como mostrou o Estadão, um depoimento sigiloso do promotor de Justiça Lincoln Gakiya apontou a suspeita de omissão do coronel José Augusto Coutinho em um caso de corrupção de policiais pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Eu defendo transparência e que todas as investigações prossigam Quando ele foi nomeado, não tinha nenhum indício de envolvimento dele, sequer uma falta disciplinar”, rebateu Derrite.
Candidatos defendem punição a ministros do STF que cometerem crimes de responsabilidade
Questionado por uma jornalista se defende uma atuação mais enfática do Senado na fiscalização do Supremo, André do Prado disse que é preciso ter “coragem para discutir” o assunto e criticou a interferência da Corte em outros Poderes.
Ele, contudo, falou de forma genérica, sem deixar claro se seria favorável ao impeachment de um ministro. “Temos que ter senadores que tenham coragem para chegar no Senado e poder votar, inclusive, impeachment de ministro, caso esse ministro cometa crime de responsabilidade”, afirmou.
Ao final do debate, o candidato do PL disse que Salles não declararia que é favorável ao impeachment de Moraes porque a denúncia contra ele, no caso do contrabando ilegal de madeira, aguarda julgamento no STF. Salles, então, foi categórico: “Se houver processo e eu tiver de votar, é sim”, declarou.
Marina Silva adotou postura similar a de Prado e disse que o ministro que cometer crime de responsabilidade “pode e deve ser cassado” pelo Senado.
*Estadão Conteúdos/Foto: Divulgação/Montagem


