O fortalecimento da direita na eleição para a Câmara dos Deputados deve mudar, na prática, a agenda e a dinâmica de votação do Congresso Nacional nos próximos anos, segundo especialistas ouvidos pelo R7.
Com uma bancada maior, partidos de direita e centro-direita terão mais capacidade de pautar projetos e pressionar pela votação de temas defendidos durante a campanha, como endurecimento da legislação penal, segurança pública, liberação de armas, agronegócio e pautas de costumes.
O novo equilíbrio, porém, não significa que essas propostas terão caminho livre no parlamento. Para analistas, a composição da Câmara ainda dependerá da posição dos partidos de centro, que, mesmo com mudanças no tamanho de algumas bancadas, continuarão tendo peso para formar maiorias em votações importantes.
Na opinião do cientista social Tiago Valenciano, membro da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), a mudança na composição da Câmara é resultado de uma transformação que já vinha sendo observada nas últimas eleições: a ideologia passou a ter um peso maior na escolha dos deputados.
“O perfil para deputado federal e estadual no Brasil mudou. Agora, o candidato não precisa apenas de uma base eleitoral tradicional; ele precisa ter ideologia”, avalia.
Segundo Valenciano, a internet teve papel importante nesse processo ao permitir que candidatos identificados com posições políticas mais claras alcançassem diretamente o eleitorado.
“Os candidatos que conseguiram fazer sua mensagem chegar por meio da internet foram eleitos e ganharam uma proporção não esperada pelos partidos políticos. Além disso, o centro vem perdendo espaço”, observa.
*R7/Foto: Leonardo Sá/Agência Senado – Arquivo


