Em meio à crise com EUA, plano de Lula cita 31 vezes o termo soberania

Diante da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, cita 31 vezes a palavra soberania e promete dar “um salto” no modelo de desenvolvimento do País, mantendo o arcabouço fiscal.

Apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no registro das candidaturas de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o documento menciona diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicou um tarifaço sobre produtos brasileiros, e dá alfinetadas na família Bolsonaro.

“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica”, diz um trecho do programa. “Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, completa o texto, numa referência ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à sucessão de Lula.

‘Três ondas’

O PT assinala que, por causa de pelo menos “três ondas” de um tarifaço imposto pelos EUA, o governo foi obrigado a adotar medidas para proteger as empresas.

Em uma temporada de relações conturbadas e tensas entre o Brasil, os Estados Unidos de Trump e a Argentina de Javier Milei, a plataforma de Lula para o quarto mandato destaca que o presidente “encarna, como poucos, a defesa da soberania do Brasil e a esperança teimosa de um povo que não abre mão de seu próprio destino”. É nessa linha que o PT prega o desenvolvimento de políticas econômicas “sem qualquer tipo de subordinação estratégica”.

Com 13 eixos, a plataforma de Lula também anuncia investimentos nas Forças Armadas, embora o Ministério da Defesa tenha sofrido neste ano seguidos cortes e bloqueios de verbas, sob o argumento de que era necessário cumprir as metas fiscais estabelecidas.

O plano defende, mais uma vez, a criação do Ministério da Segurança Pública, que tira a Polícia Federal da pasta da Justiça. A proposta constava do programa de 2022, mas nunca saiu do papel.

A segurança é o calcanhar de Aquiles do governo Lula, mal avaliado nessa área. Se for reeleito, o presidente promete instituir o Pacto Nacional de Execução Penal para o Enfrentamento ao Crime Organizado. O projeto, porém, não é detalhado no documento. O partido defende, ainda, o uso de câmeras corporais por policiais e o controle de armas e munições

“O compromisso do governo Lula é proteger a vida, garantir a cidadania e assegurar a presença do Estado onde a violência e o crime organizado tentam impor o medo e controlar territórios”, diz o programa de governo.

No momento em que denúncias de irregularidades com o dinheiro público causam preocupação no mundo político, a menos de três meses das eleições, a plataforma de Lula destaca a importância do Plano de Integridade e Combate à Corrupção adotado pela Controladoria-Geral da União (CGU). Não faz qualquer referência, porém, ao escândalo do Banco Master ou aos desvios de aposentadorias do INSS.

 

 

*Estadão Conteúdos/Foto: Reprodução Estadão

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