O ex-delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto, de 54 anos, condenado a 18 anos e nove meses de prisão por homicídio duplamente qualificado e fraude processual, foi solto em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A movimentação relacionada à soltura do ex-servidor foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (22).
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), Toledo recebeu um alvará de soltura expedido pelo Poder Judiciário no dia 12 de setembro. Até o momento, conforme a pasta, não houve nova admissão dele no sistema prisional.
Na última passagem pelo sistema penitenciário, o ex-delegado ficou no Presídio de Andradas, no Sul de Minas, entre os dias 9 e 10 de setembro. Depois, foi transferido para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Contagem, onde permaneceu até o dia 12, quando foi solto.
Geraldo Toledo foi condenado pelo assassinato da então namorada Amanda Linhares Santos, de 17 anos. O crime ocorreu em abril de 2013, em uma estrada entre Ouro Preto e o distrito de Lavras Novas, na região Central de Minas Gerais.
O julgamento ocorreu em dezembro de 2015, em Ouro Preto. Toledo foi condenado a 18 anos e nove meses de prisão. Além do homicídio duplamente qualificado, ele respondeu por fraude processual relacionada às circunstâncias posteriores ao crime.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 14 de abril de 2013, em uma estrada que liga Ouro Preto ao distrito de Lavras Novas, na região Central de Minas Gerais. Segundo as informações apuradas pela RECORD Minas à época, Geraldo Toledo e Amanda Linhares Santos, de 17 anos, mantinham um relacionamento amoroso e teriam discutido dentro de um carro. Durante a briga, a adolescente foi atingida por um tiro na cabeça.
Após ser baleada, Amanda foi socorrida e ficou internada por quase dois meses no Hospital Pronto-Socorro João 23, em Belo Horizonte. A adolescente morreu em 4 de junho daquele ano, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória. O corpo foi sepultado em Conselheiro Lafaiete.
Toledo sustentava que Amanda havia atirado contra a própria cabeça. A versão, no entanto, foi descartada pela perícia. Segundo informações oficiais, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou o então delegado por homicídio duplamente qualificado e fraude processual. A Promotoria apontou indícios de que ele teria tentado impedir o esclarecimento do crime e dificultar a produção de provas. Outras cinco pessoas também foram denunciadas por fraude processual.
O ex-delegado permaneceu preso durante a tramitação do processo. Em 2014, o caso voltou a ganhar repercussão depois que Toledo foi visto deixando uma faculdade no bairro Floresta, na região Leste de Belo Horizonte. Na ocasião, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que ele não tinha autorização judicial para deixar a Casa de Custódia da Polícia Civil, onde estava preso.
Toledo havia solicitado autorização para cursar História na modalidade a distância e para comparecer presencialmente à instituição em situações específicas. A Justiça, porém, informou que ainda não havia autorizado a saída. Após o episódio, a Polícia Civil anunciou a exoneração do diretor da Casa de Custódia e encaminhou as informações sobre a liberação do preso para a Corregedoria-Geral da corporação.
Antes disso, em 2013, Toledo também enfrentou um processo administrativo relacionado a irregularidades no licenciamento de veículos. Ele havia ingressado na Polícia Civil em julho de 2002 e atuado na área de trânsito. As apurações administrativas sobre a conduta dele ocorreram paralelamente ao processo pela morte de Amanda.
O ex-delegado foi levado a júri popular em dezembro de 2015, em Ouro Preto. Ele respondeu por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de fraude processual. Durante o julgamento, também foi analisada a acusação de que Toledo teria deixado o local do crime e alterado a situação encontrada após o disparo, dificultando a investigação.
Ao final do julgamento, Geraldo Toledo foi condenado a 18 anos e nove meses de prisão pela morte de Amanda, então com 17 anos.
*Estadão Conteúdos/Foto: RECORD Minas/ Reprodução


