A locação do Complexo Esther Towers pelo Itaú Unibanco é a maior da história do mercado imobiliário no Brasil e representa o início de um ciclo de escassez de prédios corporativos de grande porte na cidade de São Paulo. A transação reduzirá a quantidade de espaços vagos nesses imóveis, o que deve estimular empresas a agilizarem a assinatura de contratos.
A avaliação é dos consultores que atuaram nessa transação. A intermediação foi feita pela CBRE, que atendeu a Eztec, dona do empreendimento, e pela Binswanger Brazil, pelo lado do Itaú Unibanco.
“Essa é uma virada de chave para o mercado de lajes corporativas de São Paulo. A maior locação vai servir de estímulo para um novo ciclo de negócios”, avaliou a sócia-diretora da Binswanger, Simone Santos. “O fechamento de uma operação desse tamanho indica que podem começar a faltar áreas de escritórios em breve”, acrescentou.
O diretor sênior de locação da CBRE, Felipe Giuliano, citou que a maioria dos grandes edifícios em obras já têm locação acertada e que os próximos empreendimentos serão de menor porte, o que dificulta a locação para empresas que busquem vários andares contíguos. “Vamos ver carência de projetos grandes a partir de 2027”, estimou.
Recorde
O contrato fechado pelo Itaú contempla as duas torres do Complexo Esther Towers, que somam 91,4 mil m² de escritórios, o equivalente a 12 campos de futebol. Até então, a maior locação da história havia sido feita pelo Banco do Brasil, em 2013, quando arrematou o empreendimento Green Towers, um conjunto de três torres corporativas em Brasília, com 86 mil m².
Outro grande negócio foi o aluguel do Centro Empresarial Senado, no Rio, para a Petrobrás. O complexo tem 96 mil m². No entanto, ele foi construído sob medida para a petroleira, ao contrário do Esther Towers e do Green Towers, desenvolvidos de modo especulativo (sem inquilinos definidos previamente).
A locação feita de uma só vez pelo Itaú corresponde também às operações realizadas na cidade de São Paulo a cada trimestre, que giram em torno de 90 mil m² de área. (Veja abaixo a lista das maiores locações recentes).
Panorama
A movimentação do Itaú integra um contexto de aquecimento do setor, que está atraindo de volta as grandes empresas. Na auge da pandemia, entre 2020 e 2021, muitas devolveram seus escritórios. A partir de 2022, começou um movimento de volta, mas que demorou a emplacar. O retorno foi puxado principalmente pelas pequenas e médias empresas. Mais recentemente, as grandes passaram a tomar a mesma decisão, com redução ou corte do home office, como aconteceu com Nubank, Amazon, Uber, entre outras.
Com isso, os espaços vagos dos prédios corporativos vêm caindo. Na pandemia, a vacância bateu em 22%. Hoje, está em 15%, na média da cidade. Para os prédios de padrão triplo A, a vacância é ainda menor, de apenas 9,8%, conforme dados da Biswanger e da CBRE.
Eixos como os da Avenida Paulista, Faria Lima e JK são os pontos mais buscados para escritórios, com vacância baixa, entre 5% e 9%. Ou seja, já faltam espaços nessas regiões. Por sua vez, a região da Chucri Zaidan, onde fica o Esther Towers, vinha em segundo plano, com vacância de 13,5%.
Com a locação da totalidade do Esther Towers, o espaço vago na Chucri Zaidan cairá para 12%. Se o empreendimento fosse inaugurado sem locação, a vacância nessa região subiria para 22%, o que reforça a relevância do negócio. “A Chucri deixa de ser apenas uma alternativa de custo mais baixo em comparação com a Faria Lima e passa a ser um hub corporativo consolidado de São Paulo”, disse o diretor de transações de escritórios da Binswanger, Eduardo Cardinali.
*Estadão Conteúdos/Foto: Reprodução


