Qual é o custo total estimado da missão Artemis II da Nasa?

A missão Artemis II, da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa, na sigla em inglês), foi um sucesso: conseguiu cumprir os objetivos de levar quatro astronautas para sobrevoar a Lua, incluindo o lado oculto, e retornar à Terra em segurança. Para conseguir isso, os valores gastos não foram pequenos: a estimativa é de que a viagem tenha custado pelo menos US$ 4,1 bilhões, ou R$ 20,4 bilhões na cotação atual.

O programa Artemis, que inclui a missão que retornou à Terra na última sexta-feira, 10, deve alcançar um custo total de US$ 100 bilhões (algo em torno de R$ 500 bilhões). A estimativa é baseada em relatório da própria Nasa, com previsões de orçamento até 2025, e de gastos anunciados pelo governo dos Estados Unidos até 2030.

Segundo a estimativa da Nasa, cada lançamento de uma nave espacial Orion, que levou os quatro integrantes da Artemis II, custa pelo menos R$ 20,4 bilhões. De acordo com um relatório da Nasa, esses custos se dividem da seguinte forma:

– Construção e lançamento da cápsula: US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões);

– Módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia: US$ 300 milhões, além do US$ 1 bilhão anterior (R$ 1,5 bilhão);

– Módulo de lançamento ao espaço, utilizado apenas uma vez: US$ 2,2 bilhões (R$ 11 bilhões)

– Estruturas no solo (centro de controle, plataforma de lançamento e outras): US$ 568 milhões (R$ 2,86 bilhões).

No relatório, a Nasa informa que esses custos não incluem o dinheiro gasto no desenvolvimento prévio do sistema ou em tecnologias de próxima geração que estavam em desenvolvimento. Assim, os custos podem ser ainda maiores.

A Artemis II foi projetada pela Nasa, que é do governo americano, mas a nave e outras partes foram montadas por empresas privadas do setor aeroespacial e de defesa, como Boeing, Northrop Grumman e Lockheed Martin.

Durante a missão, chamou a atenção o banheiro utilizado pelos quatro astronautas. A estrutura custou US$ 23 milhões (R$ 115 milhões), segundo a agência de notícias DW, e apresentou falhas de funcionamento. No entanto, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen conseguiram cumprir a missão sem maiores problemas.

Por que gastar tanto?

Do ponto de vista científico, o objetivo é voltar à Lua para criar uma base espacial e, a partir de lá, enviar astronautas a Marte ainda na próxima década. Do ponto de vista econômico, entretanto, voltar à Lua agora faz mais sentido do que no passado, a partir da constatação da presença de muitos minerais raros no satélite terrestre e do desenvolvimento de tecnologia para minerá-los.

É o caso, por exemplo do Hélio 3, um isótopo raro na Terra, mas abundante na Lua. A substância é vista como o combustível do futuro devido ao seu potencial para reatores de fusão nuclear limpa, segura e praticamente ilimitada.

A rigor, a Lua não pertence a ninguém, mas quem conseguir chegar lá primeiro, certamente terá a primazia na exploração. Não por acaso, a China entrou na corrida espacial, prometendo levar um taikonauta (como são chamados os astronautas chineses) ao satélite em 2030.

Mais do que levar o ser humano de volta ao satélite natural, as missões Artemis têm o objetivo de garantir a superioridade dos EUA na exploração espacial, em meio a essa disputa com a China.

Após o lançamento da missão Artemis II, o administrador da Nasa, Jared Isaacman, destacou que o objetivo da agência era testar os sistemas da espaçonave Órion e do foguete SLS de olho em futuras missões. “Nenhum ser humano jamais voou nesta nave. Estamos realizando testes rigorosos para garantir que tudo esteja em ordem. Ela abrirá caminho para missões subsequentes e uma era de ouro para a ciência e as descobertas”, disse à Nasa TV.

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