Rogério Caboclo anuncia a desistência de concorrer à presidência do São Paulo

Cinco dias depois de confirmar sua intenção de ser candidato à presidência do São Paulo, Rogério Caboclo divulgou neste sábado carta aberta na qual anuncia que não vai prosseguir “com a construção da candidatura” ao comando do clube paulista. O pleito que vai definir o presidente de 2027 a 2029 está marcado para a primeira quinzena de dezembro.

Sócio do São Paulo desde 1990 e conselheiro vitalício desde 1998, Caboclo foi diretor-adjunto de Marketing e diretor financeiro do clube entre 2000 e 2002. No documento direcionado aos “conselheiros, sócios, torcedores e apoiadores”, o dirigente afirma que recebeu manifestações de apoio e confiança e que sua decisão não “representa afastamento, recuo ou diminuição do compromisso com o clube”. “Ao contrário: ela nasce da compreensão de que, neste momento, a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual”, afirma o dirigente

A carta de Caboclo é mais um capítulo do conturbado cenário político do São Paulo, presidido por Harry Massis, que assumiu o cargo após o impeachment de Julio Casares, em janeiro de 2026. A oposição precisa de um nome em consenso para entrar com força na eleição.

Caboclo, apesar de sua experiência administrativa, era contestado. Ele foi presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 2019 e 2021 e foi afastado após denúncias de assédio moral e sexual apresentadas por funcionárias. Ele foi declarado inocente em 2023.

“A partir de agora, caberá ao processo eleitoral encontrar outros caminhos para reunir experiência comprovada, capacidade de gestão e conhecimento das principais estruturas do futebol brasileiro”, afirma Caboclo. “O apoio que recebi durante esse processo não pertence apenas a uma candidatura. Ele expressa o desejo de mudança de muitos são-paulinos”, completa ele, que tinha o respaldo do presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu Jr, principal adversário de Massis.

Com a decisão de Caboclo, a oposição deve ter como candidato Marcelo Portugal Gouvêa, conhecido como Marcelinho, filho de Marcelo Portugal Gouvêa, que presidiu o São Paulo entre 2002 e 2006. Pela situação, o candidato deve ser Adilson Alves Martins, que foi aliado do ex-presidente Júlio Casares e diretor financeiro do São Paulo entre 2015 e 2017.

VEJA A CARTA DE ROGÉRIO CABLOCO

CARTA AOS CONSELHEIROS, SÓCIOS, TORCEDORES E APOIADORES

Amigas e amigos,

Nas últimas semanas, tive a oportunidade de conversar com conselheiros, sócios, torcedores, lideranças políticas e pessoas profundamente comprometidas com o futuro do São Paulo Futebol Clube. Recebi manifestações importantes de apoio e confiança de integrantes do Conselho Deliberativo, de diferentes grupos políticos e de personalidades relevantes do futebol e da sociedade. Esse reconhecimento muito me honrou e reforçou a convicção de que o clube precisa construir um novo caminho.

Depois de avaliar com responsabilidade o cenário político interno, decidi não prosseguir com a construção de minha candidatura à Presidência do São Paulo. Essa decisão não representa afastamento, recuo ou diminuição do meu compromisso com o clube. Ao contrário: ela nasce da compreensão de que, neste momento, a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual. A partir de agora, caberá ao processo eleitoral encontrar outros caminhos para reunir experiência comprovada, capacidade de gestão e conhecimento das principais estruturas do futebol brasileiro.

Continuarei participando de forma ativa das discussões sobre o futuro do clube e contribuindo para o diálogo entre as diferentes correntes políticas. Minha experiência, minha capacidade de articulação e minha disposição de trabalho permanecerão a serviço da construção de uma alternativa sólida, responsável e preparada para conduzir as mudanças de que o São Paulo necessita.

O apoio que recebi durante esse processo não pertence apenas a uma candidatura. Ele expressa o desejo de mudança de muitos são-paulinos e aumenta minha responsabilidade de continuar participando ativamente das decisões sobre o futuro da instituição. A todos que estiveram ao meu lado, manifesto meu sincero agradecimento e reafirmo que nossa mobilização continuará tendo um papel relevante na construção desse novo projeto.

Como sócio e conselheiro vitalício, seguirei atuando de maneira sólida na vida política e institucional do clube. Minha experiência de gestão foi construída também dentro do próprio São Paulo, de 2000 a 2002, onde assumi a Diretoria Financeira em um cenário de déficit relevante e encerrei minha passagem com saldo em caixa. Depois, exerci funções de alta responsabilidade na Federação Paulista de Futebol, no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e na CBF, onde fui CEO e presidente. É uma trajetória de resultados, recuperação financeira, organização administrativa e desenvolvimento do futebol que continuará à disposição do São Paulo.

O São Paulo precisa recuperar a estabilidade, a confiança e a capacidade de planejar seu futuro. A escassez de novas lideranças firmes e vocacionadas, como aquelas que marcaram a trajetória singular do Clube em outros tempos, tem contribuído para a perda de referências, o enfraquecimento institucional e a dificuldade de construir um projeto consistente e duradouro. Soma-se a isso a dificuldade de colocar os interesses da instituição ou “o melhor para o clube” acima de disputas circunstanciais e o conforto pessoal. Superar esse quadro exige união, competência, independência, diálogo e coragem para promover mudanças. Continuarei trabalhando intensamente para que esses princípios se transformem em um projeto à altura da história e da grandeza do São Paulo.

Mais do que uma candidatura, permanece um compromisso. E esse compromisso é com o São Paulo Futebol Clube.

Rogério Caboclo

Sócio e conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube

 

 

*Estadão Conteúdos/Foto: Reprodução Estadão

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