Três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento na morte de pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Entre os detidos está um técnico de enfermagem, de 24 anos que atuava na unidade e que, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), teria provocado a morte de ao menos três pacientes ao aplicar substâncias inadequadas diretamente na veia das vítimas.
De acordo com as investigações conduzidas pela Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o técnico utilizou medicamento errado, e em um dos casos, chegou a injetar desinfetante por via intravenosa. Após a aplicação, ele ainda simulava tentativas de reanimação, realizando massagem cardíaca nos pacientes.
A apuração aponta que outras duas técnicas de enfermagem tinham conhecimento dos crimes e podem ser indiciadas por homicídio.
As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um servidor público de 33 anos. Duas das mortes ocorreram no dia 17 de novembro, e a terceira foi registrada em 1º de dezembro.
Os investigadores analisaram imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, onde os pacientes estavam internados..
As prisões dos ex-técnicos de enfermagem ocorreram no último dia 11, quando também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nas regiões de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Já a segunda fase da operação foi deflagrada na quinta-feira (15), resultando na apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil não identificou, ainda, a motivação para os assassinatos.
Veja a nota do Hospital Anchieta:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”.


