A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais passou a influenciar as articulações em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação de aliados do governo é que o novo cenário eleitoral pode dificultar a votação da proposta no Senado.
Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois disputarão o segundo turno.
No Congresso, o resultado das urnas fortaleceu a oposição e aumentou a pressão para que a votação da PEC seja adiada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantém o discurso de que pretende colocar o tema em discussão, mas sinalizou que será necessário construir uma maioria entre os senadores antes de avançar com a votação.
A PEC defendida pelo governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6×1 e sem redução salarial. A proposta já avançou na Câmara e tem como relator no Senado o senador Omar Aziz (PSD-AM).
Flávio, por outro lado, tem defendido uma proposta alternativa. O candidato afirma que o trabalhador deveria ter liberdade para escolher sua jornada, com remuneração proporcional às horas trabalhadas. Nesta terça-feira (6), ele voltou a criticar a proposta do governo e afirmou que o debate estaria sendo utilizado eleitoralmente por Lula.
Com o Senado esvaziado e muitos parlamentares ainda envolvidos nas articulações eleitorais, o futuro da PEC deve ser definido nos próximos dias. Lideranças governistas se reúnem nesta terça-feira para discutir estratégias, e a expectativa é de que uma decisão sobre a votação seja tomada até quinta-feira (8).
Assim, a disputa presidencial passou a ter reflexos diretos sobre uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso. O resultado das urnas não apenas alterou o equilíbrio político, mas também colocou em dúvida a velocidade com que a PEC da 6×1 poderá avançar no Senado.
*Plano News/Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


