Facebook e Google recorrem de decisão do STF que ampliou responsabilidade das redes

O Facebook e o Google recorreram da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliou a responsabilidade das redes sociais por conteúdos ilícitos publicados pelos usuários. As empresas pedem que o Supremo corrija pontos omissos e contraditórios da decisão, entre eles a definição do início de incidência das novas regras.

No julgamento realizado em junho, o Tribunal decidiu que o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que isenta plataformas de responder por danos causados pelas postagens, é parcialmente inconstitucional. A decisão estabelece que o artigo 19 só permanece válido nos casos de crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação).

Em todos os outros crimes, aplica-se o artigo 21, que prevê a retirada do conteúdo logo após a notificação do usuário. Esse artigo, que prevê exceções ao artigo 19, já é válido em casos de violação a direitos autorais e imagens de nudez não autorizada.

As duas empresas pedem que o Supremo esclareça a partir de quando a decisão começa a valer, já que o acórdão se limita a dizer que os efeitos se aplicam ao futuro. “Isso deixa em aberto questões fundamentais sobre sua aplicabilidade a situações pretéritas já discutidas em processos em curso”, alega o Facebook.

O Google aponta erro material no uso da expressão “chatbot” nas teses aprovadas pela Corte. Para a empresa, a decisão erra ao usar a palavra como sinônimo de “redes artificiais de distribuição”. O “chatbot”, na verdade, é um programa que simula uma conversa humana. Uma das teses aprovadas em junho pelos ministros estabelece que há “presunção de responsabilidade” das redes sociais por conteúdos ilícitos em duas hipóteses: anúncios e impulsionamentos pagos ou “rede artificial de distribuição (chatbot ou robôs)”.

Para a gigante da tecnologia, a decisão também tem pontos obscuros em relação aos requisitos que as notificações extrajudiciais devem atender para obrigar a plataforma a remover conteúdos apontados como ilegais. A empresa diz que a definição é “essencial para que se evite uma indústria de notificações e a sobrecarga do próprio Judiciário”.

O Facebook pede que o Supremo estabeleça um prazo de transição para a implementação de certas obrigações, como o “dever de cuidado”. O conceito visa prevenir a circulação de crimes especialmente graves, como terrorismo, instigação ao suicídio e crimes sexuais. “O julgado impõe deveres de elevada complexidade técnica, jurídica e operacional sem qualquer disciplina temporal para sua implementação, o que cria cenário de insegurança jurídica e inviabiliza, na prática, o atendimento imediato das exigências”, argumenta a big tech.

O acórdão do julgamento que amplia a responsabilidade das big techs por conteúdos publicados por terceiros foi publicado pelo Supremo na semana passada. A partir da publicação, abre-se prazo para a interposição de embargos de declaração, que servem para questionar omissões, contradições e obscuridades da decisão.

Como mostrou o Estadão, o acórdão do STF sobre o tema é considerado pelo governo Lula como parte do leque de opções para regulamentar o setor. No Palácio do Planalto há avaliação de que o projeto de lei (PL) dos Serviços Digitais (elaborado pelo Ministério da Justiça) – a principal aposta do Executivo para regular as atividades das big techs, uma espécie de sucessor do antigo PL das Fake News – pode acabar não sendo enviado ao Congresso. Um dos motivos é que o acórdão do STF, na visão do governo, preenche algumas lacunas da legislação que o PL dos Serviços Digitais visava fechar.

Últimas Notícias

Caso Deolane: defesa alega “incompetência” e pede anulação da prisão

A coluna Fábia Oliveira descobriu que a novela judicial envolvendo a...

Republicanos oficializa candidatura de Tarcísio com apoio a Flávio, mas só em SP

O Republicanos oficializou neste sábado, 1º, o governador Tarcísio...

Jerônimo Rodrigues: Não fechamos a porta para aquelas autoridades que não votaram em nós

O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo...

Denúncias de injúria racial e homofobia interrompem jogo do Paulista Sub-20

A Federação Paulista de Futebol (FPF) investiga casos de...

Nos sigaRedes Sociais

255,324FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
128,657SeguidoresSeguir
97,058InscritosInscrever

NewsletterAssine

Fique Ligado

Homem mata três pessoas em ataque à faca em fábrica da Bombril no ABC

Alerta: o texto abaixo trata de temas como abuso...

Convenção do PL em SC com participação de Flávio usa vídeo com voz e imagens de Jair Bolsonaro

A convenção estadual do PL em Santa Catarina exibiu...

Crise de incêndios florestais na Europa se desloca para a Grécia

A emergência de incêndios florestais diminuiu em grande parte...

Michelle Bolsonaro será candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal, diz Bia Kicis

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro será candidata ao Senado pelo...

Caso Deolane: defesa alega “incompetência” e pede anulação da prisão

A coluna Fábia Oliveira descobriu que a novela judicial envolvendo a...

notícias relacionadas

Convenção do PL em SC com participação de Flávio usa...

A convenção estadual do PL em Santa Catarina exibiu neste sábado, 1º, um vídeo com a voz e imagens de Jair Bolsonaro (PL), em...

Jerônimo Rodrigues: Não fechamos a porta para aquelas autoridades que...

O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "não...

Correção: TJ-SP condena pesquisador da USP a 12 anos de...

O texto divulgado no dia 31 e julho, não tinha o posicionamento da USP, que agora foi incluso no segundo parágrafo e também no...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui