Governo e Assembleia de SC defendem lei que proíbe cotas raciais após Gilmar exigir explicações

O governo de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) defenderam no Supremo Tribunal Federal (STF) a constitucionalidade da lei que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do governo catarinense.

As manifestações foram enviadas ao ministro Gilmar Mendes, relator das ações que questionam a norma, após o magistrado conceder prazo de 48 horas para que o Executivo e o Legislativo prestassem esclarecimentos sobre a lei, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) no última quinta-feira, 22.

Nos documentos, os dois Poderes sustentam que a legislação não extingue políticas afirmativas, mas redefine os critérios adotados pelo Estado, priorizando parâmetros considerados objetivos, como renda, deficiência e origem em escola pública, em substituição a reservas de vagas baseadas exclusivamente em critérios raciais.

Jorginho de Mello, representado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SC), afirma que a Constituição não impõe um modelo único de ação afirmativa e que a adoção de cotas raciais é constitucionalmente possível, mas não obrigatória. Segundo o governo, cabe aos Estados, no exercício da autonomia federativa, definir as políticas públicas mais adequadas à sua realidade social e educacional.

Na manifestação, o Executivo destaca o programa Universidade Gratuita, que financia cursos de graduação com base em critérios socioeconômicos. O governador ainda sustenta que a política atende majoritariamente estudantes de baixa renda, oriundos da rede pública e que conciliam trabalho e estudo.

Já a Alesc argumenta que a lei questionada se insere no âmbito da competência concorrente dos Estados para legislar sobre educação. Segundo a Assembleia, a norma não interfere na organização administrativa das universidades nem altera o regime jurídico de servidores públicos, afastando a alegação de vício formal de iniciativa.

O Legislativo também sustenta que não há violação à autonomia universitária. De acordo com a manifestação, a autonomia das universidades não é absoluta e deve ser exercida nos limites da lei, especialmente quando se trata de critérios de ingresso em instituições públicas de ensino superior, tema que envolve política educacional e distribuição de recursos públicos.

Tanto o governo quanto a Alesc pediram ao STF o indeferimento do pedido de suspensão imediata da lei. O Executivo alegou risco de insegurança jurídica caso a norma seja suspensa, enquanto a Assembleia afirmou que não estão presentes os requisitos para concessão de medida cautelar, como perigo na demora ou plausibilidade jurídica da tese apresentada pelos autores das ações.

A Alesc também informou ao Supremo que a eficácia da lei já se encontra suspensa por decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o que, segundo o Legislativo, afasta qualquer urgência para intervenção cautelar do STF neste momento.

A lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2025 e sancionada no mês seguinte. O texto proíbe políticas de cotas raciais no sistema estadual de ensino superior e prevê sanções administrativas às instituições que descumprirem a norma, como multas e possibilidade de suspensão de repasses públicos. A legislação mantém exceções para pessoas com deficiência, critérios exclusivamente econômicos e estudantes oriundos de escolas públicas estaduais.

O Partido Socialismo e Liberdade (Psol), o Partido dos Trabalhadores (PT), entidades estudantis, organizações da sociedade civil e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acionaram o STF contra a lei. As ações foram ajuizadas com pedido de suspensão imediata da norma, sob o argumento de que ela viola direitos constitucionais e pode produzir efeitos imediatos sobre o acesso ao ensino superior.

Últimas Notícias

Moraes nega pedido de Flávio para interrogar Lula, Moro, Deltan, João Santana e María Corina

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal...

Sargento do Exército é parado em blitz com arma de Jair Bolsonaro

O sargento Estácio Leite da Silva Filho foi parado...

Itaú é condenado a indenizar milhares de funcionários por fraude

O Banco Itaú foi condenado por fraude e deve...

Em dois anos, Central do Cadastro Único realiza mais de 6 mil atendimentos domiciliares

Vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), a Central...

Nos sigaRedes Sociais

255,324FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
128,657SeguidoresSeguir
97,058InscritosInscrever

NewsletterAssine

Fique Ligado

Joaquim Barbosa cria redes sociais e diz estudar a possibilidade de se lançar à Presidência

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa...

Hospital Regional de Sobradinho ganha UTI reformada e equipamentos de ponta

Após receber uma ampla reforma, a Unidade de Terapia...

Motta adia reunião de líderes em meio a possível retirada da urgência sobre PL da escala 6×1

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB),...

Escritor Raimundo Carrero morre aos 78 anos no Recife

A literatura brasileira perdeu um de seus nomes mais...

Moraes nega pedido de Flávio para interrogar Lula, Moro, Deltan, João Santana e María Corina

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal...

notícias relacionadas

Itaú é condenado a indenizar milhares de funcionários por fraude

O Banco Itaú foi condenado por fraude e deve indenizar milhares de funcionários lesados. O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Ives Gandra...

Brasileiro apontado como ex-líder do PCC e do CV é...

Um brasileiro apontado pelas autoridades dos Estados Unidos como ex-líder das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foi preso...

Cacique Raoni é internado em estado grave em MT; quadro...

O líder indígena cacique Raoni, de 94 anos, foi internado neste domingo (14) na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital e Maternidade Dois...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui