Brasil tem menor nº de alunos em ensino médio em uma década, mas cresce na educação integral

O número de alunos no ensino médio no País caiu 5,3% de 2024 para 2025 e registrou a menor quantidade de matrículas em uma década. A queda foi puxada pelas escolas públicas; a rede privada cresceu 0,6% no mesmo período. O retrato faz parte do Censo Escolar, divulgado nesta quinta-feira, 26, pelo Ministério da Educação (MEC).

Há forte influência do Estado de São Paulo na diminuição. Dos 425 mil alunos a menos no ensino médio público brasileiro, 259 mil (60%) são de escolas paulistas. Mesmo sendo o Estado mais populoso, São Paulo tem o equivalente a 20% dos de estudantes dessa etapa no País.

O ensino médio, com 7,3 milhões de alunos, é considerado um dos maiores desafios da educação básica, principalmente por causa da evasão. Os dados de 2024 mostravam que só 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em escolas.

Entre os 20% mais pobres, eram 72%, segundo o anuário do Todos pela Educação. Adolescentes vulneráveis deixam a escola por desinteresse pelos estudos, gravidez, necessidade ou opção pelo trabalho. As informações sobre evasão escolar de 2025 ainda não estão disponíveis.

Segundo a gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a redução se deve a dois motivos. “Um porque a população diminuiu e outro porque melhoramos o fluxo, o aluno não ficou mais retido. Caímos no 3º ano em 61% a distorção idade-série do aluno”, disse o ministro da Educação, Camilo Santa. “Estamos melhorando a cobertura e atendimento ao aluno no ensino médio.”

A distorção idade-série é um indicador que mostra o fluxo escolar dos estudantes, ou seja, a quantidade que está na série adequada à idade. Segundo o Censo, em 2021, cerca de 27,2% dos estudantes do médio estavam atrasados. Isso caiu para 14% em 2025.

“Os alunos estão repetindo menos. Quando retém o aluno e não permite que ele avance, incha o sistema”, afirmou Fábio Bravin, pesquisador e membro da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao MEC.

Programas como o Pé de Meia, lançado pelo governo federal em 2024 e que oferece bolsa para jovens do ensino médio permanecerem na escola, tentam combater o abandono. A política, que tem custo de R$ 12 bilhões, é umas das principais apostas do governo Lula na educação e ainda não tem resultados claros.

Sobre a redução demográfica, o Brasil tem visto nos últimos anos uma acelerada transição, com recuo no número de jovens de zero a 19 anos. Essa mudança vai impactar as perspectivas de crescimento econômico e o mercado de trabalho, com a queda da população apta a trabalhar, e também eleva a demanda por gastos públicos em saúde e previdência.

Os dados de matrículas são informados ao MEC pelas secretarias dos Estados e também podem sofrer influência de mudanças de políticas regionais ou de questões de cadastro. Há divergências ainda na forma de contabilizar jovens que têm uma frequência baixa, mas não abandonaram totalmente a escola.

Segundo o Censo Escolar, o País tem hoje 46.018.380 estudantes em toda a educação básica, eram 47 milhões em 2024, uma redução de 1 milhão de alunos. Do total de crianças e adolescentes na escola, 9 milhões estão na rede privada e o restante na rede pública.

Escola em tempo integral

Por outro lado, o número de alunos que estudam em tempo integral vem crescendo desde 2020 e aumentou 11% entre 2024 e 2025 na rede pública. Em 2020 eram 4,7 milhões de alunos e atualmente são 8,8 milhões, o que representa 19% do total.

A ampliação da educação integral é outra política prioritária do MEC, desde o início da gestão. O ministério começou a repassar recursos para que os Estados e municípios ampliassem as matrículas na modalidade, com o objetivo de ter 3,6 milhões de alunos a mais até 2026 em tempo integral.

Como os altos investimentos no Pé de Meia, secretários da educação passaram a reclamar que os recursos diminuíram este ano e as ampliações de matrículas em tempo integral só poderão ocorrer com dinheiro próprio.

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