China e outros países condenam ataques de Israel ao Líbano

A China e outros países se manifestaram sobre os ataques de Israel contra o Líbano, intensificando preocupações internacionais sobre o risco de escalada no Oriente Médio e a fragilidade do acordo de cessar-fogo em curso na região. Nesta semana, Israel e Irã concordaram com uma trégua de duas semanas, que, desde o início, foi considerada frágil.

Em Pequim, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou nesta quinta-feira, 9, que a soberania libanesa “não deve ser violada”. Segundo ela, “a segurança da vida e dos bens civis deve ser garantida”, acrescentando que o governo chinês defende moderação e uma “acalmação da situação regional”.

As críticas também partiram da Europa. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, declarou que as ações israelenses colocam sob pressão um cessar-fogo envolvendo Estados Unidos e Irã, defendendo que a trégua seja estendida ao território libanês.

Autoridades britânicas também expressaram preocupação. Yvette Cooper afirmou estar “profundamente preocupada” com a escalada e declarou, em entrevistas a emissoras locais, que os ataques são “completamente errados”. Segundo ela, a continuidade das ações militares tem provocado deslocamentos em massa e agravado a crise humanitária no Líbano.

O presidente da França, Emmanuel Macron, orientou todas as partes envolvidas a respeitarem integralmente o cessar-fogo, inclusive no Líbano. Em conversas com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Macron afirmou que a decisão de interromper as hostilidades “foi a melhor possível” e deve abrir caminho para negociações mais amplas.

O líder francês também relatou contatos com autoridades libanesas, incluindo o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam, para expressar solidariedade diante do que descreveu como “ataques indiscriminados”. Segundo Macron, as ofensivas representam uma ameaça direta à manutenção do cessar-fogo.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou os ataques como “inaceitáveis”.

No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores também condenou os ataques israelenses. Em nota divulgada no final da tarde de quarta-feira, 8, o Itamaraty afirmou que as ações “ameaçam envolver a região em nova escalada de violência e instabilidade”

Anteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia defendido que a trégua na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã deveria ser estendida ao Líbano, onde atua o Hezbollah, grupo xiita apoiado por Teerã e alvo dos bombardeios israelenses

No âmbito das Nações Unidas, o alto comissário de direitos humanos, Volker Türk, classificou como “horrível” a escala da violência registrada.

A intensificação dos ataques ocorre em meio aos esforços diplomáticos para conter o conflito regional, com a comunidade internacional alertando para o risco de ampliação das hostilidades caso o cessar-fogo não seja respeitado de forma abrangente.

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