O dólar registrou alta de 0,60% frente ao real, cotado a R$ 5,11, nesta segunda-feira (27/7). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também subiu. Ele fechou com valorização de 0,74%, aos 175,3 mil pontos, interrompendo uma série de três pregões seguidos de baixa.
Apesar do avanço dólar em relação ao real (lei mais sobre o assunto abaixo), os mercados de câmbio e ações iniciaram a semana sob menor tensão. Depois da retomada de confrontos entre os Estados Unidos e o Irã, que durou quase duas semanas ininterruptas, a indicação é de que os ataques diminuíram.
Com isso, aumentam as expectativas de uma solução diplomática para a guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro, há cinco meses, portanto.
Petróleo
Diante dessa possibilidade, os preços do petróleo caíram. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, recuou 11,27%, a US$ 86,11. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, cai 6,46%, a US$ 85,87.
Com a volta dos ataques nas últimas semanas, esses valores voltaram a superar a marca dos US$ 100 por barril (no caso do Brent, por exemplo). No auge do confronto, em março, esse preço chegou a bater em US$ 120.
Juros nos EUA
Com o indício de alívio no Oriente Médio, a definição dos juros nos Estados Unidos ganha protagonismo entre os investidores globais. Nesta quarta-feira (29/7), o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), fixa a nova taxa, que atualmente está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Os agentes econômicos apostam na manutenção desse patamar. Para a reunião do Fed de setembro, porém, a estimativa majoritária é de um aumento dos juros de 0,25 ponto percentual, elevando o intervalo para entre 3,75% e 4,00%.
Inflação no Brasil
No Brasil, a agenda da semana inclui a divulgação de dados importantes. O principal deles é o IPCA-15, a prévia da inflação oficial do Brasil. Os números serão veiculados nesta terça-feira (28/7), antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). O encontro ocorrerá entre 4 e 5 de setembro e estabelecerá o novo patamar da taxa básica de juros do país, a Selic.
O Boletim Focus, a pesquisa semanal realizada pelo BC com economistas do mercado, trouxe nesta segunda-feira uma nova estimativa de queda para a inflação de 2026. Ela passou de 5,15% para 5,12%, na quarta semana seguida de baixa da previsão.
Emprego
Na quinta-feira (30/7), o mercado conhecerá os novos números do mercado de trabalho a respeito de junho. A Pnad Contínua vai trazer a taxa de desemprego desse mês e o Caged mostrará o resultado da criação líquida de postos de trabalho com carteira assinada no país no mesmo período. Ambas as informações oferecem indícios importantes sobre o ritmo da economia brasileira, cuja avaliação é crucial para a definição da Selic por parte do Copom.
Análise
Na avaliação de Vitor Kayo, economista da Nomad, chamou a atenção nesta segunda-feira o fato de o real ter destoado de outras moedas emergentes (que se valorizaram frente ao dólar) “num dia de apetite por risco melhor no exterior”.
Para ele, essa discrepância é resultado do ambiente político doméstico, com a proximidade das eleições, deixando o câmbio mais sensível a notícias e fluxos de curto prazo. “Isso além da política tarifária americana, que continua sendo fonte de incerteza para o comércio global”, diz.
Ibovespa
“O Ibovespa por sua vez subiu, acompanhando a melhora do humor externo e chegando a tocar os 175 mil pontos, mas sem muita convicção”, afirma Kayo. “O recuo do petróleo limitou esse avanço ao pressionar justamente os papéis do setor, com Petrobras, Prio e PetroReconcavo entre as maiores quedas, enquanto ações mais domésticas e de bancos se beneficiam da queda dos juros futuros.”
João Vitor Saccardo, analista da Convexa, observa que o Ibovespa encerrou a sessão em alta impulsionado pela redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. “O ambiente de menor aversão ao risco favoreceu ativos ligados ao mercado doméstico e contribuiu para a queda dos juros futuros”, diz.
Ele também destaca o fato de o recuo do preço do petróleo ter pressionado as ações da Petrobras, que caíram, enquanto bancos e empresas mais sensíveis ao ciclo econômico registraram desempenho positivo. “Entre os destaques corporativos, a Embraer avançou após divulgar um novo recorde em sua carteira de pedidos no segundo trimestre de 2026”, afirma.
*Metrópoles/Foto: Getty Images


