Eduardo Bolsonaro diz que irá a Washington discutir Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira, 11, que irá a Washington na próxima semana para discutir a retomada da possibilidade de aplicação de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Lei Magnitsky é um instrumento de sanção usado pelos Estados Unidos para impor sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou de envolvimento em violações de direitos humanos.

A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal Comunica Brasil. Eduardo não detalhou com quem pretende se reunir na capital dos Estados Unidos. A afirmação de que seriam integrantes do governo Donald Trump partiu do apresentador da transmissão, e não do ex-parlamentar.

“Semana que vem estou indo a Washington DC para conversar com algumas pessoas muito interessantes para reanimar, reaver a possibilidade da gente ter uma Magnitsky Moraes”, afirmou.

Eduardo também disse enxergar uma “convergência de interesses” para aumentar a pressão sobre Moraes e afirmou haver possibilidade de o ministro deixar o Supremo. “Não é algo fácil, mas ainda assim há essa possibilidade”, disse.

As declarações ocorrem após o ministro André Mendonça, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin, derrubar parcialmente o sigilo do inquérito que apura fraudes envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de outros 14 processos relacionados. A medida não tornou pública a íntegra das investigações e manteve sob sigilo informações sobre diligências que ainda precisam ser preservadas.

Na entrevista, Eduardo atribuiu a mudança no ambiente em torno de Moraes a uma reação de setores da imprensa e afirmou que parte dos veículos teria feito “vista grossa” anteriormente para supostos abusos do ministro por atingirem Jair Bolsonaro. As acusações são de Eduardo.

O ex-parlamentar, foragido nos EUA, também vinculou a crise no Supremo à disputa presidencial e afirmou que ela pode beneficiar a candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, tornou-se difícil “descolar a imagem do Lula ao STF” e há uma “grande possibilidade” de mudança no cenário eleitoral já no primeiro turno.

A Polícia Federal aponta, em investigação relacionada ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, que Eduardo teria orientado como os recursos destinados ao projeto seriam geridos nos Estados Unidos. Segundo a corporação, o fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, recebeu cerca de R$ 61 milhões (US$ 10,6 milhões) do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. É a mesma apuração cujo sigilo foi parcialmente derrubado nesta semana.

Eduardo nega irregularidades e afirma que apenas cedeu direitos de imagem para o filme e que se mantém com reservas próprias e doações do pai. Ele foi condenado em 16 de junho de 2026 a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo, pela atuação junto ao governo de Donald Trump para pressionar o STF, o que o tornou inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

O ex-deputado vive foragido nos Estados Unidos, e o recurso da defesa contra a condenação dele está em julgamento no plenário virtual da Primeira Turma, sob relatoria de Moraes, entre 11 e 18 de setembro.

 

 

*Estadão Conteúdos/Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

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