EUA fecham embaixadas e retiram cidadãos do Oriente Médio após ataques de drones iranianos

Os Estados Unidos fecharam nesta terça-feira, 3, suas embaixadas na Arábia Saudita e no Kuwait e ordenaram a retirada de pessoal não essencial de outros cinco países após drones iranianos atingirem representações diplomáticas americanas no Golfo.

Desde a segunda-feira, 2, o Irã tem aumentado ataques com drones contra alvos diplomáticos, militares e comerciais dos EUA e aliados em toda a região para retaliar os bombardeios de Israel e EUA que levaram à morte do líder supremo, Ali Khamenei no sábado. Com isso, funcionários governamentais americanos não essenciais e suas famílias deixarão os Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein, Iraque e Jordânia.

O contra-ataque iraniano também atingiu indústrias produtoras de gás e combustível, além de prejudicar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial.

O Irã lançou centenas de mísseis e drones contra os Estados do Golfo que abrigam bases aéreas dos EUA, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Bahrein. A Jordânia também relatou ataques. A maioria dos ataques parece ter sido interceptada. A noite de ataques, no entanto, ampliou a preocupação em Washington e nos mercados com os prejuízos provocados pelo conflito.

Embaixadas fechadas

A Embaixada dos EUA em Riad, capital da Arábia Saudita, fechou as portas após um ataque que provocou um pequeno incêndio e causou danos menores ao prédio. O ataque parece ter sido realizado por dois drones, informou o Ministério da Defesa saudita, sem especificar sua origem.

Algumas horas depois, o Ministério da Defesa informou que oito drones foram interceptados e destruídos perto das cidades de Riad e Al-Kharj, a sudeste da capital. A Embaixada do Canadá em Riad também anunciou que fecharia as portas e cancelou todos os atendimentos presenciais até sexta-feira.

Um ataque similar ocorreu no Kuwait. Ali, a embaixada também foi fechada.

Infraestrutura econômica e logística na mira

Nos Emirados Árabes Unidos, o foco dos ataques iranianos aparentou ser ativos econômicos. Um deles atingiu na Zona Industrial de Petróleo de Fujairah. Não houve relatos de feridos

Fujairah é um centro energético estratégico para os Emirados Árabes Unidos. Localizada no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz, abriga infraestrutura essencial de armazenamento e exportação, incluindo instalações que permitem que as exportações de petróleo bruto contornem o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crítico para o petróleo global que o Irã ameaçou fechar.

A Amazon, empresa de computação em nuvem, informou que duas de suas instalações nos Emirados Árabes Unidos foram atingidas por drones e permaneciam “significativamente danificadas” na manhã de terça-feira.

Um dos ataques ocorreu no domingo e provocou um incêndio no centro de dados, conforme relatado anteriormente pela Amazon Web Services. Um drone também pousou perto de uma de suas instalações no Bahrein, danificando-a, informou a empresa.

Em resposta às ações iranianas, os Emirados Árabes Unidos declararam possuir um “estoque estratégico suficiente” de armamentos e sistemas de defesa para interceptar mísseis e drones iranianos “por longos períodos”, disse um porta-voz do Ministério da Defesa a repórteres na terça-feira.

O país sofreu mais de 800 ataques com drones e quase 200 ataques com mísseis nos últimos dias, matando três pessoas e ferindo 68

O porta-voz, Abdul Nasser Al Humaidi, disse que a maioria desses ataques foi interceptada, mas 57 drones e um míssil balístico atingiram o território dos Emirados.

No Catar, os maiores prejuízos afetam os setores de aviação e gás natural.

A Qatar Airways informou que seus voos permanecem suspensos porque o espaço aéreo do país ainda está fechado. O conflito afetou gravemente as operações aéreas em uma região que abriga alguns dos aeroportos mais movimentados do mundo, incluindo o Aeroporto Internacional de Dubai. O cancelamento de pelo menos 11 mil voos de e para o Oriente Médio afetou mais de um milhão de passageiros, segundo a empresa de dados de aviação Cirium.

A empresa de energia pública do Catar anunciou em março a suspensão da fabricação de certos produtos transformados, após a produção de gás natural liquefeito (GNL) devido a um ataque iraniano contra suas principais instalações.

“Após a decisão de impedir a produção de gás natural liquefeito (…), a QatarEnergy suspende a fabricação de determinados produtos”, entre eles os polímeros, o metanol e o alumínio, declarou a empresa em um comunicado.

A agência de notícias nacional de Omã informou que um drone caiu perto do porto de Salalah, um dos maiores centros marítimos e logísticos do país. Não houve relatos de vítimas ou perdas materiais. Outros dois drones foram abatidos no sudoeste do país Omã, que atuou como mediador nas negociações entre o Irã e os Estados Unidos para evitar uma guerra, condenou os ataques e afirmou que tomará “todas as medidas necessárias para manter a segurança do país”. 

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