EUA: Trump defende agenda econômica de olho nas eleições de meio de mandato

O primeiro discurso do Estado da União do segundo mandato do presidente americano Donald Trump seguiu o roteiro esperado. Ele prometeu uma fala longa – e cumpriu. Durante 1 hora e 48 minutos na noite desta terça-feira, 24, o chefe da Casa Branca fez uma defesa enfática de sua agenda econômica, de olho nas eleições de meio de mandato; voltou a criticar o revés na Suprema Corte, prometendo uma saída tarifária “ainda mais forte”; afirmou trabalhar para encerrar mais uma guerra – entre a Rússia e a Ucrânia; e cobrou do Irã o compromisso de não desenvolver armas nucleares para fechar um acordo com o país.

O discurso de Trump foi o mais longo sobre o Estado da União já registrado, segundo a imprensa americana. Enquanto republicanos aplaudiram toda a fala, embalada pelos gritos de “USA, USA”, os democratas permaneceram em silêncio na maior parte do tempo. Mas alguns também criticaram o chefe da Casa Branca. O deputado democrata Al Green foi escoltado para fora do plenário após abrir uma faixa de protesto com os dizeres “Negros não são macacos!”, em referência ao vídeo racista publicado recentemente pelo presidente, que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como primatas em uma selva.

Trump voltou a criticar a decisão da Suprema Corte que invalidou seu poder de usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para taxar os parceiros comerciais. Em duas ocasiões durante o discurso, chamou a medida de “infeliz” e prometeu revidá-la de forma “ainda mais forte”. “Essas tarifas permanecerão em vigor sob estatutos legais alternativos totalmente aprovados e testados”, disse Trump, afirmando ainda que os países taxados querem manter os acordos já firmados com os EUA. Uma ação do Congresso não será necessária para manter a política tarifária, segundo o presidente.

“Trilhões e trilhões de dólares continuarão a entrar nos Estados Unidos da América, porque finalmente temos um presidente que coloca a América em primeiro lugar”, disse Trump. Segundo ele, enquanto o ex-presidente Joe Biden trouxe menos de US$ 1 trilhão em novos investimentos para os EUA durante quatro anos, seu governo já atraiu mais de US$ 18 trilhões de todo o mundo.

O chefe da Casa Branca também usou o discurso do Estado da União para defender sua agenda econômica, focada em medidas de affordability (redução do custo de vida dos americanos) antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. O principal temor do governo é que os Republicanos tenham mau desempenho nas urnas e percam o comando de uma das Casas, possivelmente a Câmara dos Deputados, o que poderia colocar não só a agenda, mas também a própria cabeça de Trump em risco, já que ele admitiu que pode sofrer um impeachment se a oposição ganhar força.

O tema da inflação surgiu logo nos primeiros minutos da fala, quando Trump voltou a culpar Biden pelos preços elevados nos EUA Mas, segundo ele, seu governo promoveu uma “reviravolta histórica” e agora o país vivencia uma “era de ouro”. Ele afirmou ter derrubado a inflação subjacente no país ao menor nível em cinco anos, citou a queda do preço da gasolina, dos ovos e de medicamentos e, embora não tenha criticado os juros altos, disse que a queda das taxas solucionará o problema habitacional “deixado” por Biden.

Na área energética, prometeu fazer mais. Trump disse que seu governo pediu às grandes empresas de tecnologia que arquem com suas próprias necessidades de energia para que os preços não subam. “Muitos americanos também estão preocupados com o fato de que a demanda de energia dos data centers de IA podem aumentar injustamente suas contas de luz”, afirmou. “E, em muitos casos, os preços da eletricidade diminuirão para a comunidade, e diminuirão substancialmente.”

As falas de Trump foram intercaladas com a participação de convidados como o time americano de hóquei no gelo, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, personagens como a viúva de Charlie Kirk, Erika, e eleitores que ajudaram a reforçar as pautas do governo. Como esperado, o chefe da Casa Branca tratou da prioridade da sua gestão no combate à imigração ilegal. Trump pediu aos parlamentares a restauração do financiamento para segurança de fronteiras e interna dos EUA e a aprovação de uma lei que impeça imigrantes ilegais de tirar carteira de habilitação.

O republicano também reforçou sua campanha para que a apresentação de comprovação de cidadania americana seja obrigatória para o voto. Trump tem tentado angariar apoio no Legislativo para alterar as regras eleitorais e acabar com os votos por correspondência e eletrônicos. “É muito simples: todos os eleitores devem apresentar documento de identidade e comprovante de cidadania para votar”, disse. “E chega de votos por correspondência fraudulenta.”

Por fim, o chefe da Casa Branca enfatizou sua agenda externa. De acordo com ele, seu time trabalha “muito duro” para encerrar a nona guerra durante sua gestão, entre a Rússia e a Ucrânia. O conflito completou quatro anos na terça-feira. Como esperado, Trump mencionou o ataque à Venezuela que culminou no sequestro do ditador Nicolás Maduro e disse que o país é o “novo amigo” dos EUA e que trabalha em “estreita colaboração” com a líder interina do país, Delcy Rodríguez.

Trump disse ainda que busca impedir que o Irã tenha armas nucleares e criticou a repressão aos protestos pelo regime, em janeiro. Segundo o líder americano, o Irã busca um acordo depois das ameaças e negociações, mas Trump disse que pretende conseguir a garantia de que o país nunca terá armas nucleares. “Como presidente, buscarei a paz onde quer que seja possível, mas jamais hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário”, concluiu.

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