Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em investigação sobre o Banco Master

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira, 3, por agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, de uma viagem aos Estados Unidos, e pretendia seguir de carro viagem ao Rio. As apurações têm como um dos focos os investimentos realizados no Banco Master.

O voo de Deivis previa conexão em Guarulhos com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio. Ele, porém, não compareceu ao embarque. Em vez disso, alugou um carro e seguiu pela Rodovia Dutra. Em uma operação coordenada pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal, acabou preso em Itatiaia, já no Estado do Rio de Janeiro, a cerca de 260 quilômetros de São Paulo.

Deivis deixou Guarulhos de carro por volta das 7h e foi preso às 9h pelos federais.

O Estadão busca contato com a defesa de Deivis. O espaço está aberto.

Deivis havia deixado a direção do fundo em 23 de janeiro, após a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção envolvendo o sistema previdenciário dos servidores do Estado do Rio.

Durante a gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, modalidade considerada de alto risco e que não possui a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

Segundo o fundo, os papéis foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia está em negociação para substituir as letras por precatórios federais.

O Estadão apurou que, antes de viajar para os Estados Unidos, no dia 15, Deivis passou a evitar a própria residência, no Rio de Janeiro, e vivia em estado de alerta, com receio de ser surpreendido por uma operação da Polícia Federal.

Operação Barco de Papel

Investigadores da PF apuram suspeitas de que as aplicações do Rioprevidência no Banco Master foram aprovadas de forma irregular, incompatíveis com a finalidade do instituto de previdência e que expuseram os servidores públicos a “risco elevado”.

As diligências da Barco de Papel, deflagrada no último dia 23, marcaram a terceira ação da Polícia Federal voltada a apurar suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master. Diferentemente das fases anteriores, a investigação não tramita no Supremo Tribunal Federal e foi autorizada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, em primeira instância.

São investigados crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

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