O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou uma média de 130,8 pontos em maio de 2026, uma queda de 0,2 pontos (0,2%) em relação ao nível revisado de abril, mantendo-se praticamente estável. Os aumentos nos índices de preços de cereais e açúcar foram compensados por quedas nos preços de óleos vegetais e laticínios, enquanto o índice de produtos cárneos permaneceu quase inalterado. Em comparação com os níveis históricos, o indicador de preço em maio ficou 3,7 pontos (2,9%) acima do registrado um ano antes, mas permaneceu 29,4 pontos (18,4%) abaixo do pico atingido em março de 2022.
Conforme comunicado da FAO, o Índice de Preços de Cereais atingiu uma média de 114,3 pontos em maio, um aumento de 2,9 pontos (2,6%) em relação a abril e de 5,3 pontos (4,9%) em relação ao ano anterior. O aumento contínuo refletiu a alta dos preços em todos os principais cereais.
Os preços mundiais do trigo subiram pelo quarto mês consecutivo em maio, impulsionados por colheitas menores previstas nos principais exportadores, incluindo os Estados Unidos, onde as condições da safra de trigo de inverno estão entre as menos favoráveis em décadas, enquanto o aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes exerceu ainda mais pressão de alta globalmente.
Os preços do milho continuaram a ser sustentados por uma demanda de importação mais forte em mercados-chave, menor disponibilidade no Brasil e nos Estados Unidos e preços de energia mais firmes, impulsionando a demanda relacionada ao etanol.
Os preços internacionais do sorgo e da cevada aumentaram principalmente por causa dos efeitos indiretos da menor disponibilidade nos mercados globais de milho e trigo. O Índice de Preços do Arroz da FAO aumentou 2,7% em maio de 2026, com as preocupações climáticas e os preços mais altos do petróleo bruto e seus derivados sustentando as cotações em alguns dos principais países exportadores asiáticos.
O Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO registrou uma média de 185,0 pontos em maio, uma queda de 9,0 pontos (4,6%) em relação a abril, marcando o primeiro declínio mensal desde o início de 2026. A queda foi impulsionada principalmente pela redução dos preços dos óleos de palma e soja, que mais do que compensaram os aumentos nos preços dos óleos de canola e girassol.
Após cinco meses consecutivos de alta, os preços internacionais do óleo de palma recuaram, refletindo as expectativas de menor demanda global por importações e a incerteza nos mercados de petróleo bruto.
Os preços mundiais do óleo de soja apresentaram tendências mistas, com o aumento sazonal da oferta exportável pressionando os preços na América do Sul, enquanto a demanda firme por biocombustíveis sustentou os valores nos Estados Unidos. Enquanto isso, os preços do óleo de canola subiram em virtude da redução sazonal da oferta na União Europeia, enquanto as cotações do óleo de girassol continuaram a subir, sustentadas pela persistente escassez de oferta, particularmente na Ucrânia
Já o Índice de Preços da Carne da FAO registrou uma média de 130,5 pontos em maio, praticamente inalterado (alta de 0,1%) em relação ao valor revisado de abril e 7,7 pontos (6,3%) acima do nível de um ano antes. As cotações mais altas para carne bovina e ovina, juntamente com um modesto aumento nos preços da carne de aves, foram quase totalmente compensadas por uma queda nos preços da carne suína.
Os preços internacionais da carne bovina subiram ainda mais em maio, impulsionados pela forte demanda de importação, principalmente da China, onde as cotas de importação continuaram a ser rapidamente utilizadas, e dos Estados Unidos, em meio à persistente escassez de oferta interna. Ao mesmo tempo, a reconstrução contínua dos rebanhos em vários dos principais países produtores continuou a restringir a disponibilidade para exportação.
Os preços mundiais da carne ovina aumentaram, uma vez que as cotações mais altas na Nova Zelândia, sustentadas pela oferta limitada, foram apenas parcialmente compensadas por uma queda temporária nos preços de exportação australianos, onde as previsões de tempo seco estimularam o aumento do abate, expandindo a oferta para exportação.
Os preços da carne de aves subiram ligeiramente, com os preços mais altos no Brasil, sustentados pela forte demanda global de importações, sendo parcialmente compensados por cotações ligeiramente mais baixas nos Estados Unidos, refletindo a ampla oferta. Em contrapartida, os preços da carne suína caíram, principalmente por causa dos preços mais baixos na União Europeia, em meio à oferta abundante e à demanda de importações moderada.
O Índice de Preços de Lácteos da FAO registrou uma média de 119,2 pontos em maio, uma queda de 0,5 ponto (0,5%) em relação a abril e 34,5 pontos (22,4%) abaixo do nível registrado um ano antes. Os preços internacionais da manteiga continuaram a cair na Europa e na Oceania, em virtude da melhora na disponibilidade de gordura do leite e ao aumento da concorrência entre os principais exportadores, que pressionaram as cotações.
Os preços do queijo recuaram apenas marginalmente, já que a ampla disponibilidade para exportação e a intensificação da concorrência nos mercados internacionais foram parcialmente compensadas pelo apoio contínuo dos mercados de soro de leite e proteína láctea, o que ajudou a sustentar os valores nas principais regiões exportadoras.
Em contrapartida, os preços do leite em pó desnatado aumentaram ainda mais, principalmente na Europa, impulsionados pela forte demanda de importação do Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia. Os preços do leite em pó integral apresentaram desenvolvimentos mistos, com aumentos modestos na Oceania, sustentados pela redução sazonal da disponibilidade para exportação após o pico de produção e pela demanda contínua do Sudeste Asiático e do Oriente Médio, em grande parte compensados por cotações europeias mais baixas, refletindo a demanda moderada da China e a oferta global geralmente confortável.
O Índice de Preços do Açúcar da FAO atingiu uma média de 95,1 pontos em maio, um aumento de 6,6 pontos (7,5%) em relação a abril, marcando o nível mais alto desde outubro de 2025, mas permanecendo 14,3 pontos (13,1%) abaixo do nível de um ano atrás O aumento foi impulsionado principalmente por preocupações com um esperado aperto na oferta global de açúcar nos próximos meses
Nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil, dados que mostram uma menor participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar aumentaram as expectativas de maior direcionamento para o etanol, sustentando os preços mundiais do açúcar. No entanto, a forte moagem de cana-de-açúcar na segunda quinzena de abril impulsionou a produção de açúcar e limitou a pressão de alta.
Um suporte adicional aos preços resultou de preocupações de que as condições do El Niño possam afetar negativamente a produção de açúcar na Índia e na Tailândia em 2026/27, potencialmente reduzindo a disponibilidade global para exportação.
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