O Irã afirmou que permitiu a passagem de navios de alguns países pelo Estreito de Ormuz, em meio ao conflito com Estados Unidos e Israel, mas indicou que nações consideradas alinhadas à ofensiva militar podem não se beneficiar de trânsito seguro pela rota estratégica. A hidrovia, crucial para o comércio global de petróleo, permanece com circulação restrita desde o início das hostilidades.
Em entrevista à AFP, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, disse que Teerã tem cooperado com determinados países que solicitaram passagem. “Alguns países já falaram conosco sobre atravessar o Estreito e nós cooperamos com eles”, afirmou. Segundo ele, “os países que se juntaram à agressão não devem se beneficiar de passagem segura pelo Estreito de Ormuz”.
Takht-Ravanchi também negou que o Irã esteja instalando minas na via marítima, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que forças americanas atingiram 28 embarcações iranianas usadas para esse tipo de operação. “De forma alguma. Isso não é verdade”, disse à AFP.
O vice-chanceler acrescentou que o Irã busca garantias de que o país não voltará a enfrentar uma guerra no futuro. “Queremos ver que uma guerra não será imposta novamente ao Irã”, afirmou, lembrando que, após um cessar-fogo temporário no ano passado, os adversários “se reagruparam e fizeram isso novamente”.
Já a Reuters informou que petroleiros com bandeira da Índia poderão receber autorização para atravessar o Estreito de Ormuz, segundo uma fonte do governo indiano. A informação, porém, foi contestada por uma fonte iraniana fora do país, que afirmou não haver acordo formal.
Segundo o governo da Índia, os ministros das Relações Exteriores dos dois países conversaram três vezes nos últimos dias, discutindo segurança da navegação e o abastecimento energético indiano. Ainda nesta quinta, o petroleiro Shenlong, que transporta petróleo saudita, chegou ao porto de Mumbai após cruzar o estreito, tornando-se o primeiro navio de petróleo bruto a chegar ao país desde o início do conflito, de acordo com dados da LSEG citados pela Reuters.


