Mundial de Clubes: veja cinco razões para os brasileiros estarem brilhando no torneio da Fifa

A segunda rodada da fase de grupos do Mundial de Clubes foi encerrada com os times brasileiros como líderes de suas respectivas chaves. As vitórias de Botafogo e Flamengo sobre Paris Saint-Germain e Chelsea, respectivamente, coroaram o bom momento das equipes no torneio da Fifa. Antes, Palmeiras e Fluminense já haviam indicado nos empates com Porto e Borussia Dortmund a capacidade de os clubes do País roubarem a cena nos Estados Unidos.

Mas, afinal, em um torneio recheado de estrelas do futebol mundial, por que os brasileiros estão se destacando tanto? O Estadão lista cinco motivos para entender o sucesso das equipes na competição.

1 – FIM DE TEMPORADA X MEIO DE TEMPORADA

Um dos principais argumentos de quem desconfia do desempenho dos clubes brasileiros no Mundial é o fato de os times europeus estarem em fim de temporada – diante do Pachuca, o Real Madrid chegou ao seu 64º jogo na temporada – enquanto os brasileiros estão chegando no auge da performance.

É importante destacar que os europeus sempre têm a vantagem de disputar o Mundial de Clubes realizado anualmente, cuja nomenclatura agora é Copa Intercontinental desde 2024, quando estão “voando” fisicamente. Atual campeão brasileiro e da Copa Libertadores, o Botafogo fez 75 partidas no ano passado, demonstrou cansaço e sequer chegou à final da última edição. O Real, campeão da edição, disputou somente a decisão.

2 – SERIEDADE

É fato que os clubes europeus não queriam disputar o Mundial. Quando a competição foi anunciada pela Fifa, rumores de um boicote apareceram na imprensa internacional. A falta de seriedade explicaria o motivo de alguns resultados.

Cabe ressaltar que os torcedores europeus também não encaram a competição da mesma maneira que os brasileiros – vale lembrar que o Velho Continente concentra os times com a maior capacidade de investimento e, consequentemente, de melhores jogadores e equipes. Já para os fãs de futebol de outras nações, vencer uma competição chancelada pela Fifa é o ápice da história.

3 – INVASÃO BRASILEIRA NOS EUA

Se o Mundial de Clubes é a competição mais importante para os brasileiros, era óbvio que as torcidas das equipes participantes iriam comparecer em peso nos Estados Unidos para acompanhar os jogos, transformando as arenas em “caldeirões”. Palmeirenses tomaram conta da Times Square e também da Brooklyn Bridge, em Nova York, antes das partidas do time.

O jogo com a presença de um time brasileiro com maior público até o momento foi a vitória do Flamengo sobre o Chelsea, por 3 a 1, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. O confronto registrou 54.019 torcedores. O impactante triunfo do Botafogo sobre o Paris Saint-Germain aparece logo atrás. O icônico estádio Rose Bowl, palco do tetracampeonato da seleção brasileira em 1994, recebeu 53.699 pessoas na vitórias dos cariocas por 1 a 0.

4 – CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

Outro motivo de reclamação dos europeus é o forte calor que faz nos Estados Unidos nesta época do ano. Algumas partidas foram realizadas com temperaturas acima dos 30 graus. No confronto com os sul-africanos do Mamelodi Sundowns, jogadores reservas do Borussia Dortmund preferiram ficar no ar-condicionado do vestiário em vez do banco. Ainda assim, os alemães venceram por 4 a 3.

Por sua vez, os brasileiros estão acostumados a jogar sob sol forte. Tanto no início quanto no fim do ano, quando o verão dá o ar da graça, as partidas são realizadas no País com intenso calor, especialmente no Rio, cidade que tem três participantes no torneio.

5 – ALTO NÍVEL

É importante reconhecer que o futebol brasileiro ainda está prateleiras abaixo dos times dos mais alto patamar no mundo, como PSG, Real Madrid, Bayern e Manchester City, mas também está longe de ser uma zebra por completo. Palmeiras, Flamengo e Botafogo, por exemplo, fazem investimentos condizentes com a posição de protagonistas no Brasil e na América do Sul.

O Flamengo teve 10 jogadores convocados na Data Fifa, e o Palmeiras, seis. Para além dos talentos de jovens talentos, como Estêvão, as equipes contam com nomes experientes e longa rodagem na Europa, como Thiago Silva (Fluminense) e Alex Telles (Botafogo).

O intercâmbio cultural do ponto de vista tático também é um fator preponderante. Palmeiras e Botafogo têm treinadores portugueses (Abel Ferreira e Renato Paiva), enquanto Filipe Luís, do Flamengo, atuou durante quase toda a carreira na Europa e aplica boa parte do conhecimento adquirido em seu trabalho. Renato Gaúcho, treinador do Flu, é o único com carreira à beira do gramado somente no Brasil.

 

 

*Estadão Conteúdo/Foto: Reprodução 

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