Não está no horizonte acabar com vinculação de aposentadoria do salário mínimo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse não estar no horizonte a desvinculação das aposentadorias do salário mínimo, tampouco o fim dos pisos da educação e da saúde.

“Não está. Precisamos garantir que o crescimento do gasto obrigatório não siga num patamar muito além do que o País pode comportar, como temos feito. É otimizar programas. O gasto social precisa ser eficiente”, defendeu, ao ser indagado sobre as duas hipóteses.

Ele prosseguiu afirmando que, quando o governo federal propôs, no fim de 2024, “melhorias no crescimento do gasto obrigatório”, vários pontos não foram aprovados pelo Congresso. O titular da Fazenda afirmou ter dialogado com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), juntamente com o Supremo Tribunal Federal (STF), para que as contas não sejam desajustadas durante o período eleitoral.

A respeito da renegociação das dívidas rurais, Durigan fez um comentário relacionado à questão da mudança climática. “Já ouvi de vários interlocutores que esse temor de mudança climática é um exagero e que, no fundo, o governo dos EUA é que tem razão. Tivemos uma série de recorrências de inundação, de estiagem em vários lugares e agora há essa demanda do agronegócio de que precisamos atender quem foi vítima da mudança climática”.

‘Sobre Flávio Bolsonaro em audiência no USTR’

Durigan criticou o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela participação em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), realizada em Washington, na terça-feira, 7.

“É irrelevante do ponto de vista do debate comercial entre Brasil e EUA. O Brasil tem razão nas discussões e vai insistir na linha soberana e altiva de apresentar argumentos”, disse Durigan em entrevista à revista.

“A premissa dos Estados Unidos para uma política tarifária diferente com o mundo é de que eles têm déficit comercial. Essa premissa é incorreta no caso do Brasil, pois eles têm superávit. Em questões pontuais, que é a seção 301, a bússola norte-americana está desatualizada”, completou.

O ministro destacou que o País está com um mínimo de desmatamento e o Ministério do Trabalho está engajado em combater trabalho análogo à escravidão e em acabar com a escala de trabalho 6×1.

Indagado se o novo tarifaço dos EUA vai entrar em vigor no dia 15 de julho, Durigan respondeu: “Não sei. Espero que não”.

Em relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção de grande parte dos produtos agropecuários. A audiência realizada nesta semana nos EUA integra as etapas finais da investigação feita pelo governo americano. A decisão sobre a eventual implementação das medidas está prevista para o próximo dia 15.

Por fim, o ministro classificou a agenda que vem sendo apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro caso eleito presidente, de privatizações e “tesouraço” em impostos, de “vazia e que já mostrou não dar bons resultados”. “O debate sobre equilíbrio fiscal com responsabilidade social e ambiental foi estabelecido pelo ministro Fernando Haddad e não tem volta. Da mesma forma que o presidente Lula estabeleceu a agenda social como algo indisputável, o debate fiscal passará a ser indisputável nos termos inaugurados pelo ministro Haddad”, defendeu.

Subsídio aos combustíveis

Durante a entrevista, Durigan também disse que a dosagem da retirada do subsídio aos combustíveis será feita a depender da situação.

“Estou aqui norteado por princípio, não por conjuntura. O princípio é: o Brasil não vai ser sócio da guerra. Se o petróleo voltar a aumentar, se eventualmente a receita da União voltar a aumentar, vou calibrar as medidas para que as pessoas não sofram”, sustentou.

Segundo o ministro, a avaliação sobre a retirada dos próximos subsídios será feita pari passu com a situação da guerra no Oriente Médio.

 

 

*Estadão Conteúdo/Foto: Reprodução

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