Número de mortos em protestos em todo o Irã sobe para ao menos 2 mil, dizem ativistas

O número de mortos nos protestos em todo o Irã subiu para pelo menos 2 mil nesta terça-feira, 13, segundo ativistas, mesmo com iranianos conseguindo fazer ligações telefônicas para o exterior pela primeira vez em dias, após as autoridades terem cortado as comunicações durante a repressão.

O total de mortos, reportado pela Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, supera em muito o de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irã em décadas, lembrando o caos que cercou a Revolução Islâmica de 1979. As manifestações, que começaram como protestos contra a economia debilitada do país, rapidamente passaram a mirar a teocracia, em especial o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Imagens obtidas nesta terça-feira pela Associated Press, de protestos em Teerã, mostram pichações e cânticos pedindo a morte de Khamenei – algo que, segundo a lei iraniana, pode acarretar pena de morte.

O crescente número de mortos pode aumentar a pressão sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, para que tome medidas, após ele ter alertado o Irã de que poderia intervir militarmente para proteger manifestantes pacíficos. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que a comunicação com Washington permanece aberta, mas reconheceu que as diferenças entre os países continuam enormes.

O grupo ativista informou que, entre os 2 mil mortos em mais de duas semanas de protestos, 1.847 eram manifestantes e 135 tinham ligação com o governo. Outras nove crianças foram mortas, e nove civis que, segundo o grupo, não participavam dos protestos, também perderam a vida. Mais de 16,7 mil pessoas foram detidas.

Skylar Thompson, da Human Rights Activists News Agency, disse à Associated Press que o número de mortos era chocante, principalmente porque quadruplicou, em apenas duas semanas, o total de mortes dos protestos contra a morte de Mahsa Amini, que duraram meses em 2022.

Ela alertou que o número ainda deve aumentar. “Estamos horrorizados, mas ainda achamos que o número é conservador”, acrescentou.

Logo após a divulgação do novo balanço, Trump escreveu na Truth Social: “Patriotas iranianos, continuem protestando – ocupem suas instituições”. Ele também afirmou que cancelou todas as reuniões com autoridades iranianas até que “o massacre sem sentido de manifestantes pare”. “A ajuda está a caminho.”

Com a internet fora do ar no Irã, acompanhar as manifestações a partir do exterior tornou-se mais difícil. A Associated Press não conseguiu verificar de forma independente o número de vítimas, e o governo iraniano não divulgou estatísticas oficiais.

As ligações telefônicas de iranianos deram uma ideia de como era a vida após o isolamento imposto pelo governo na noite de quinta-feira, 8.

Testemunhas relataram forte presença policial no centro de Teerã, prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e poucos pedestres nas ruas. Enquanto isso, a população permanece preocupada com os próximos passos, incluindo a possibilidade de ataques, após Trump ter afirmado que poderia usar as Forças Armadas para proteger manifestantes pacíficos. O republicano também disse que o Irã deseja negociar com Washington.

“Meus clientes comentam sobre a reação de Trump e se perguntam se ele planeja um ataque militar contra a República Islâmica”, disse o comerciante Mahmoud, que revelou apenas o primeiro nome por segurança. “Não acho que Trump ou qualquer outro país estrangeiro se importe com os interesses dos iranianos.”

Reza, um taxista que também se identificou apenas pelo primeiro nome, afirmou que os protestos continuam presentes na mente de muitas pessoas. “As pessoas – principalmente os jovens – estão sem esperança, mas falam em continuar os protestos”, disse ele.

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