Rússia fornece inteligência para Irã atacar alvos americanos no Oriente Médio, diz jornal

A Rússia está ajudando o Irã na guerra contra Estados Unidos e Israel fornecendo imagens de satélite e tecnologia de drones, segundo o The Wall Street Journal. Citando fontes anônimas, o jornal indica que Moscou tem expandido o compartilhamento de inteligência e cooperação militar com Teerã para atingir alvos americanos no Oriente Médio.

De acordo com a publicação, a Rússia tem fornecido tecnologia que modifica os drones Shahed – os temidos drones kamikaze – a fim de melhorar a comunicação, navegação e mira dos armamentos. Além disso, Moscou tem compartilhado o que aprendeu na Ucrânia para orientar sobre quantos drones usar em operações e a quais altitudes devem atacar, continua a reportagem que cita como uma das fontes um alto oficial da inteligência europeu.

Os Shahed são fabricados pelo Irã e se tornaram peça fundamental da guerra da Rússia na Ucrânia. Altamente letais, eles são ágeis em localizar alvos e se lançam contra ele, por isso o nome kamizake. Na época, iranianos viajaram para Moscou para observar o uso de seus drones em um campo de batalha real.

No início da guerra na Ucrânia, os Shahed foram essenciais para os avanços russos, mas com o tempo os ucranianos aprenderam a combatê-los. Moscou, então, aprimorou a tecnologia para ser mais precisa e mirar infraestruturas essenciais da Ucrânia, e estaria hoje compartilhando isso com Teerã.

Ainda de acordo com o WSJ, Moscou também estaria fornecendo a localização de forças militares dos Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio. A assistência seria semelhante à inteligência que Washington e seus aliados europeus forneceram para a Ucrânia, disseram as fontes.

A publicação cita que essa ajuda tenha ocorrido durante ataques recentes a sistemas de radar americanos na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Omã. O Kremlin não respondeu ao jornal.

Em 6 de janeiro, o Washington Post havia publicado que Moscou estava compartilhando inteligência com Teerã. Embora tenha mantido discrição, desde o início a Rússia tem repassado ao Irã a localização de alvos militares dos EUA, incluindo navios de guerra e caças. Mais de 10 oficiais americanos já morreram em ataques iranianos na região.

Embora não possuam uma parceria militar formal, Rússia e Irã se tornaram próximos ao longo do anos em matéria militar, sendo Moscou um dos maiores fornecedores militares da República Islâmica. A amizade se aprofundou após a guerra na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu apoio inabalável ao novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.

Segundo analistas, o compartilhamento de informações entre Moscou e Teerã justifica o padrão de ataques contra alvos americanos, incluindo infraestrutura de comando, radares e bases temporárias, entre outros.

Ao WSJ, analistas militares também observaram que o Irã tem se saído melhor neste conflito do que na guerra de 12 dias contra EUA e Israel no ano passado. O uso dos drones para sobrecarregar radares antes de um ataque de mísseis também lembra as táticas russas na Ucrânia, disseram.

Até o momento, os auxílios russos ao Irã tem sido limitados, ao menos publicamente, para o campo retórico. Putin condenou o ataque americano em 28 de fevereiro, bem como a morte de Ali Khamenei.

Mas, com sua própria guerra na Ucrânia e cauteloso em irritar Donald Trump, o russo não demonstrou mais do que isso. O próprio Trump, contudo, já disse acreditar que Putin esteja ajudando “um pouco” o país persa.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que liderou as negociações dos EUA com Moscou, disse que a Rússia negou estar dando inteligência ao Irã para ajudar em seus ataques.

Se confirmado, o envolvendo russo indica que mais um ator tem sido arrastado pelo conflito. Dessa vez, mais um ator nuclear. Desde os primeiros ataques, Teerã tem expandido a guerra para seus vizinhos do Golfo e fechou o Estreito de Ormuz com o objetivo de tornar as consequências da guerra globais.

Quem mais tem se beneficiado disso é Moscou. Com o gargalo em Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo, a commodity altamente sancionada de Putin voltou a ser atrativa. Em 13 de março, Washington permitiu temporariamente a venda de petróleo russo em meio a disparada do preço do combustível.

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