Trump diz que pode adiar viagem à China e pressiona Pequim por ajuda no Estreito de Ormuz

O presidente Donald Trump está sugerindo que pode adiar sua tão aguardada visita à China no fim do mês, enquanto busca aumentar a pressão sobre Pequim para que ajude a reabrir o Estreito de Ormuz e a acalmar os preços do petróleo, que dispararam durante a guerra com o Irã.

Em entrevista concedida ao Financial Times no domingo, 15, Trump afirmou que a dependência da China em relação ao petróleo do Oriente Médio significa que o país deveria colaborar com a nova coalizão que ele está tentando formar para restabelecer o tráfego de petroleiros no estreito, após as ameaças do Irã terem restringido o fluxo global de petróleo. Trump disse que “gostaríamos de saber” antes da viagem se Pequim irá ajudar. “Podemos adiar”, disse Trump na entrevista.

A incerteza ressalta o quanto os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã remodelaram a política global nas últimas duas semanas. O cancelamento da visita presencial com o presidente chinês Xi Jinping pode ter grandes consequências econômicas: as relações entre Washington e Pequim têm sido tensas, com ambos os lados ameaçando o outro com tarifas elevadas ao longo do último ano.

A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Em Pequim, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou apenas que a China e os EUA mantiveram comunicação sobre a visita de Trump. “A diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações China-EUA”, disse Lin Jian, durante uma coletiva de imprensa diária.

Os novos comentários de Trump surgiram enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, se reunia com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, nesta segunda-feira, 16, em Paris, para uma nova rodada de negociações comerciais que visavam abrir caminho para a viagem de Trump a Pequim. Os EUA e a China declararam uma trégua que impediu ambos os lados de impor tarifas concorrentes , mas os riscos continuam altos.

Nos primeiros dias do conflito com o Irã, Trump afirmou que navios da Marinha dos EUA escoltariam petroleiros pelo estreito e minimizou a ameaça representada pelo Irã. Mas, com a disparada dos preços do petróleo, ele e seu governo foram forçados a considerar novas opções – incluindo a ideia, levantada no fim de semana, de que outros países se juntassem à iniciativa com seus próprios navios de guerra. Até o momento, nenhum deles acatou formalmente o apelo.

Trump disse a repórteres a bordo do Air Force One, ao retornar a Washington após um fim de semana na Flórida, que os EUA tinham conversado com “cerca de sete” nações sobre a oferta de apoio militar. Ele não revelou quais, porém, e se esquivou quando questionado diretamente sobre a China – embora posteriormente tenha sugerido que havia feito tal oferta a Pequim.

“A China é um caso de estudo interessante”, disse ele, observando sua dependência do petróleo do Golfo. “Então eu disse: ‘Gostariam de participar?’ e vamos descobrir. Talvez participem, talvez não.”

A guerra no Irã fez o preço do petróleo disparar, elevando o preço que os americanos pagam na bomba, justamente quando a temporada eleitoral de meio de mandato começa a esquentar. A China, por sua vez, enfrenta suas próprias pressões econômicas e recentemente reduziu ligeiramente sua meta de crescimento para 2026, para 4,5% a 5%, o crescimento projetado mais lento desde 1991 – o que significa que interrupções prolongadas no estreito podem ter impactos de longo prazo também para Pequim.

Lin, durante a coletiva de imprensa em Pequim, não respondeu diretamente às perguntas sobre o pedido de ajuda externa de Trump no estreito. Ele mencionou o impacto no comércio de bens e energia e reiterou o apelo de seu governo pelo fim dos combates

“A China apela mais uma vez a todas as partes para que cessem imediatamente as ações militares, evitem uma maior escalada das tensões e impeçam que a instabilidade na região tenha um impacto ainda maior no desenvolvimento econômico global”, afirmou.

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