Trump nega estar em guerra com a Venezuela, fala em ‘consertar’ país e descarta novas eleições

O presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira, 5, em entrevista à NBC News, que os Estados Unidos não estão em guerra com a Venezuela.

“Não, não estamos (em guerra)”, disse Trump. “Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”, afirmou.

Questionado sobre os rumos políticos após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, o presidente descartou a possibilidade de a Venezuela passar por uma nova eleição em 30 dias.

“Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, disse Trump sobre a possibilidade de uma votação no próximo mês.

“Não, vai levar um tempo. Precisamos… precisamos cuidar para que o país se recupere.”

Durante os 20 minutos de entrevista, Trump afirmou que os EUA podem subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética do país. Projeto que, segundo ele, levaria menos de 18 meses.

“Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas vai custar muito dinheiro”, disse ele. “Uma quantia enorme terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita.”

O presidente ainda destacou o grupo de autoridades americanas – o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente, JD Vance -, que irá supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela.

“É um grupo que abrange tudo. Eles têm conhecimentos diversos, conhecimentos diferentes”, disse ele. Entretanto, ao ser indagado quem estaria no comando final, ele respondeu: “Eu”.

Presidente interina toma posse

Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, tomou posse como presidente interina da Venezuela no edifício do Parlamento do país. A líder foi empossada por seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A parceria dos dois, que agora encabeçam o poder Executivo e Legislativo venezuelano, deve ditar a transição de poder no país.

Embora tenha declarado que pretende trabalhar com a administração Trump, Delcy criticou em seu discurso os ataques promovidos pelos Estados Unidos no último sábado, 3, em uma ação militar que terminou com a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

“Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria”, disse ela, com a mão direita erguida. Delcy tratou a prisão do casal como um “sequestro” e chamou ainda Maduro e Flores de heróis.

Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina da Venezuela, afirmou que seu principal objetivo seria trazer Maduro de volta ao poder, a quem chamou de “irmão” e presidente, e elogiou os “heróis” mortos no ataque americano de sábado. Ele pediu união e diálogo com a oposição, acrescentando: “Unidos, venceremos”.

Já o filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, prometeu seu apoio incondicional a Delcy Rodríguez. “Conte comigo, conte com a minha família e conte com a nossa firmeza em dar os passos certos nesta responsabilidade que lhe foi confiada hoje.” Com a voz embargada, dirigiu-se ao pai: “A pátria está em boas mãos, pai, e em breve nos abraçaremos aqui na Venezuela.”

Irmãos Rodríguez no poder

O governo venezuelano buscou, nesta segunda-feira, mostrar à população e ao mundo que o país está sendo administrado de forma independente e não controlada pelos Estados Unidos.

Parlamentares alinhados ao partido governista, incluindo o filho de Maduro, reuniram-se na capital, Caracas, para dar continuidade à cerimônia programada de posse da Assembleia Nacional para um mandato que vai até 2031. Eles reelegeram o presidente da Casa – irmão de Delcy Rodríguez – e fizeram discursos focados na condenação da captura de Maduro por forças dos Estados Unidos no sábado.

“Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer nação que se recuse a se submeter”, disse Nicolás Maduro Guerra (o filho de Maduro), no Palácio Legislativo, em sua primeira aparição pública desde sábado. “Este não é um problema regional. É uma ameaça direta à estabilidade política global.”

Maduro Guerra, também conhecido como “Nicolasito”, exigiu que seu pai e sua madrasta, Cilia Flores, sejam devolvidos ao país sul-americano e pediu apoio internacional. Filho único do líder deposto, ele também denunciou ter sido citado como co-conspirador na acusação federal que imputa crimes a seu pai e a Flores.

Maduro e Cilia passam por audiência

Enquanto os parlamentares venezuelanos se reuniam, Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal dos Estados Unidos, onde respondeu às acusações de narcoterrorismo usadas pela administração Trump para justificar sua captura e transferência para Nova York. Maduro declarou-se “inocente” e um “homem decente” ao se declarar inocente das acusações federais de tráfico de drogas.

O presidente Donald Trump afirmou que os EUA iriam “administrar” temporariamente a Venezuela, mas o secretário de Estado, Marco Rubio, disse no domingo que o país não governaria o dia a dia venezuelano, limitando-se a aplicar uma “quarentena do petróleo” já existente.

No domingo, Rodríguez alegou que a Venezuela busca “relações respeitosas” com os Estados Unidos, uma mudança em relação ao tom mais desafiador adotado logo após a captura de Maduro. A mensagem conciliatória veio após Trump ameaçar que ela poderia “pagar um preço muito alto” caso não atendesse às exigências dos Estados Unidos.

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