O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (14) para a França para participar da cúpula do G7. Embora não exista um pedido de reunião bilateral entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo brasileiro admite a possibilidade de um encontro informal nos bastidores do evento.
Na avaliação de interlocutores do Planalto, as salas de reunião são relativamente pequenas e os dois presidentes participarão das mesmas sessões, o que favorece o contato direto, apesar de não haver preparativos protocolares para isso.
A data do G7, inclusive, foi ajustada para que Trump pudesse participar após as comemorações de seu aniversário, que ocorrem neste domingo.
Por parte do Brasil, o entendimento é de que não há necessidade imediata de uma nova reunião bilateral formal, uma vez que um grupo de trabalho sobre as tarifas comerciais já está em atividade e as discussões técnicas avançam.
Pauta brasileira no G7
No fórum das maiores economias do mundo, Lula deve apresentar um discurso crítico ao sistema financeiro internacional, condenando o que classifica como juros abusivos e ataques ao multilateralismo.
O presidente brasileiro também pretende cobrar que os países desenvolvidos priorizem investimentos em desenvolvimento em detrimento de gastos com guerras.
Tarifaço
Paralelamente aos encontros políticos, o Brasil planeja usar dados recentes de queda no desmatamento para esvaziar a narrativa que justifica as tarifas impostas pelos EUA.
O governo avalia que esses números servem como argumento para que setores produtivos americanos pressionem internamente pela derrubada das taxas. No entanto, o Brasil sinaliza que o etanol é um tema inegociável e não será usado como moeda de troca nas conversas.
Além da agenda com Trump, Lula já tem reuniões bilaterais confirmadas com os líderes da França e do Japão. Existe ainda a expectativa de avanços para um acordo comercial entre o Mercosul e o Japão e conversas sobre o embargo da carne brasileira na União Europeia.
Encontro na ONU
Durante a Assembleia Geral da ONU no ano passado, Trump relatou ter tido uma breve interação com Lula antes do início dos discursos, afirmando que os dois tiveram uma “química excelente”.
Segundo o presidente americano, os dois se encontraram enquanto ele entrava para o plenário e Lula deixava o local.
“Nos abraçamos. Ele me parece um homem muito agradável. Ele gostou de mim, eu gostei dele. Tivemos, ao menos por 39 segundos, uma excelente química. É um bom sinal”, declarou o presidente dos Estados Unidos na ocasião.
*r7/Foto: Ricardo Stuckert/PR – 07.05.2026


