Gilmar Mendes diverge de Moraes e impede emissão de relatórios do Coaf sem autorização judicial

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu decisão nesta segunda-feira, 25, que impede o Ministério Público (MP) e órgãos policiais de requisitarem relatórios financeiros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização judicial.

Na sexta, o ministro Alexandre de Moraes mandou suspender a tramitação de processos que usem relatórios do Coaf. O magistrado, no entanto, ressaltou nesta segunda, que inquéritos policiais não seriam afetados.

Mendes aplicou a visão da Segunda Turma do STF sobre o tema, e definiu, ao contrário de Moraes, que é sim necessária autorização judicial para que órgãos de investigação peçam dados do Coaf.

Com isso, é criado um embate sobre a possibilidade ou não da requisição dos documentos por parte do MP e de órgão policiais sem autorização prévia. O tema deve ser decidido em votação no plenário do Supremo.

Em sua decisão, Mendes escreveu que “enquanto não houver uniformização da questão pelo plenário desta Corte, deve prevalecer a orientação exarada pela Segunda Turma (que veta o uso de relatórios do Coaf), que se ampara não só na Constituição, mas também em diversas passagens do acórdão proferido no julgamento do Tema 990 da repercussão geral”.

Ao suspender os processos que usam relatórios do Coaf, Moraes ressaltou que há “divergências” entre o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a necessidade ou não de autorização judicial para produção e uso destes documentos.

O magistrado alega que as diferentes interpretações teriam “gerado graves consequências à persecução penal, como a anulação de provas, o trancamento de inquéritos, a revogação de prisões, a liberação de bens apreendidos e a invalidação de operações policiais essenciais ao combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro, à sonegação fiscal”.

Nesta segunda, no entanto, Moraes tinha esclarecido que a suspensão “não implica a paralisação de investigações criminais, a revogação de medidas cautelares ou a liberação de bens apreendidos no âmbito de procedimentos ou processos criminais pendentes”.

Diferentes interpretações

Em 2019, o STF autorizou o amplo compartilhamento de informações da Receita Federal e do Coaf com órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal, sem necessidade de expressa autorização judicial.

Porém, a Primeira e a Segunda Turmas da Corte têm interpretações diferentes sobre o alcance da tese. A Primeira Turma considera que a regra vale para a requisição de informações, etapa anterior ao compartilhamento de dados. Já a Segunda Turma entende que a produção de informações depende de supervisão judicial.

Os órgãos de persecução penal, como Ministério Público e Polícia Federal, argumentam que os pedidos ao Coaf tornam seus inquéritos mais eficientes. Com a suspensão, o MP de São Paulo manifestou preocupação de que grandes operações fossem prejudicadas, como a Tacitus, que prendeu policiais suspeitos de elo com o PCC, a Fim da Linha, que expôs o controle da facção sobre o transporte público em São Paulo, e a Car Wash e a Armagedon, ambas sobre esquemas milionários de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Últimas Notícias

Saiba o que pediam dispositivos da dosimetria prejudicados e que não serão votados no Congresso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerou prejudicados...

Trump rebate críticas de Merz e diz que chanceler é ‘ineficaz’ no conflito da Rússia e Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta...

Deep Purple volta ao Brasil para apresentação única em São Paulo

O Deep Purple está prestes a voltar ao Brasil....

Após reunião com Banco Central, governadora Celina Leão destaca que BRB tem solução técnica para momento atual

A governadora Celina Leão afirmou, nesta quinta-feira (30), que...

Nos sigaRedes Sociais

255,324FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
128,657SeguidoresSeguir
97,058InscritosInscrever

NewsletterAssine

Fique Ligado

Ex-mulher de Maradona acusa médicos indiciados em julgamento pela morte do jogador: ‘Assasinos’

No segundo julgamento pela morte de Diego Maradona, Verónica...

Michelle Bolsonaro comemora rejeição de Messias no Senado: ‘Justiça de Deus foi feita’

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou na quarta-feira, 29, a...

Congresso conclui derrubada de veto à dosimetria, beneficia Bolsonaro e impõe derrota a Lula

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira, 30, o veto...

TSE cassa mandato do governador e determina eleições diretas em Roraima

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, na sessão desta quinta-feira (30), a...

Saiba o que pediam dispositivos da dosimetria prejudicados e que não serão votados no Congresso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerou prejudicados...

notícias relacionadas

Ex-mulher de Maradona acusa médicos indiciados em julgamento pela morte...

No segundo julgamento pela morte de Diego Maradona, Verónica Ojeda, ex-mulher do jogador, desabou em lágrimas nesta quinta-feira ao criticar duramente os médicos acusados...

Michelle Bolsonaro comemora rejeição de Messias no Senado: ‘Justiça de...

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou na quarta-feira, 29, a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do...

Congresso conclui derrubada de veto à dosimetria, beneficia Bolsonaro e...

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira, 30, o veto presidencial ao projeto da dosimetria, que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui